Segunda-feira, 31 de Março de 2008

INFORMAÇÕES DE HORÁRIOS DAS CERIMÓNIAS NA IGREJA

INFORMACÕES SOBRE HORARIOS DA IGREJA

 

 

MISSAS DE CURA e LIBERTAÇÃO DIVINA: SABADOS e DOMINGOS*

16,30

 

EXORCISMOS:

3ª FEIRA, 5ª FEIRA, SABADOS e DOMINGOS DAS 14 ás 18 H

 

 

CONSULTAS DE TEOLOGIA ESPIRITUAL:3ª FEIRA, 5ª FEIRA, SABADOS e DOMINGOS DAS 14 ás 18 H

 

MARCAÇÕES e INFORMAÇÕES PELO TELEFONE:

 

218870037

 

Santuário de Nossa Senhora das Lágrimas* Rua das Canastras,26 -Lisboa (ao campo das cebolas-metro praça do comércio)

publicado por igrejacatolicaortodoxa às 15:32
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Quarta-feira, 12 de Março de 2008

EXPLICAÇÃO SOBRE O EXORCISMO

Nas culturas egípcia, babilônica, assíria e judaica, atribuíam-se certas doenças e calamidades naturais à acção dos demônios. Para afastá-los, recorria-se a algum esconjuro ou exorcismo. A cultura ocidental recebeu essas idéias através da Bíblia e do cristianismo primitivo. No cristianismo, exorcismo (do grego exorkismós, "acto de fazer jurar", pelo latim exorcismu) é a cerimônia que visa esconjurar os espíritos maus, forçando-os a deixar os corpos possessos ou dominar sua influência sobre pessoas, objetos, situações ou lugares. Quando objetiva a expulsão de demônios, chama-se Exorcismo Solene e deve fazer-se de acordo com fórmulas consagradas, que incluem aspersão de água benta, imposição das mãos, conjurações, sinais da cruz, recitação de orações, salmos, cânticos, etc. Além disso, o ritual católico do exorcismo pode ser executado por sacerdotes somente quando são expressamente autorizados por bispos.

Possessões: Possessão é o estado ou condição em que o corpo e (ou) a mente de um indivíduo são supostamente possuídos ou dominados por uma entidade (um ser, força, ou demónio) que lhes é externa, ou que não se manifesta habitualmente nas atividades da vida diária. A possessão, considerada como experiência de natureza psicológica e social, pode ser verificada individual ou coletivamente, e ter caráter inesperado, ou estar submetida a algum tipo de controle ritual; em diversas sociedades e culturas, figura como episódio ou experiência central da vida religiosa. Podemos dividir, genericamente, as formas de possessão em quatro categorias. Encosto O espírito fica próximo à pessoa, mas a influência é pequena. Neste caso, banhos de água benta e sal exorcisado ou orações como o Pai-Nosso ou o Credo, afastam este espírito inferior. Geralmente estes espíritos são de pessoas que desencarnaram e pertencem à família do possuído. Espírito opressivo O espírito tem a capacidade de "vampirizar" a energia do indivíduo. Os efeitos são sentidos como um cansaço ou vontade de chorar que podem cessar de um momento para outro. Indica-se neste caso, que se utilize um saquinho que contenha medalhas de santos bentos, sempre junto ao corpo para neutralizar a presença deste espírito. Também os banho de água benta com sal exorcisado, são benéficos neste caso. A leitura do salmo 23 é o mais indicado contra o espírito opressivo.

Obsessão O espírito consegue ficar de maneira tão dominante no corpo astral do indivíduo que pode até mesmo mudar o modo de falar e fazer coisas que normalmente não faria no dia-a-dia. Chega até mesmo a não reconhecer parentes e pessoas próximas de seu convívio.

Possessão demoníaca Neste caso, o espírito toma o corpo da pessoa, fazendo com que ocorram até fenômenos de "poltergeist" (conjunto de fenômenos produzidos espontaneamente, que consiste em ruídos e deslocamento de objetos, podendo ter duração indeterminada).

Exorcismos na Bíblia O Antigo Testamento, embora reconheça a atuação do demônio a partir da tentação e da queda de Adão no paraíso, praticamente não alude a uma acção maléfica direta do diabo sobre os homens. Foi no judaísmo antigo que se atribuíram ao demônio intervenções muito concretas na vida cotidiana. O Livro de Tobias (século II a.C.), de influência assíria, narra um exorcismo praticado mediante a oração e utilização das vísceras de um peixe. No Novo Testamento, que não apresenta modificações essenciais no que se refere ao exorcismo, o Evangelho de Marcos é o que insiste de maneira mais realista nos exorcismos praticados por Jesus e por seus discípulos. Em certos casos, trata-se de expulsar o demônio do corpo de possessos ou lunáticos. Em outros, da cura de enfermidades atribuídas à acção do demônio. Os evangelistas se servem dessas vigorosas ilustrações para demonstrar a vitória de Jesus sobre Satanás e também para mostrar como seu povo se libertou do pecado. "Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso" (João - 12:31). Esses milagres seriam um sinal da instauração do reino de Deus. "Se, porém, eu expulso demônios pelo Espírito de Deus, certamente é chegado o reino de Deus sobre vós" (Mt - 12:28). Exorcismos na história da Igreja As curas e os exorcismos foram comuns na igreja primitiva. Com o reconhecimento oficial da Igreja sob o imperador Constantino, os exorcismos carismáticos, realizados informalmente por qualquer cristão, deram lugar à institucionalização da função do exorcista. O Rituale Romanum reuniu mais tarde, diversos ritos de exorcismos para situações variadas. Também as igrejas reformadas estabeleceram tais ritos. A Igreja Católica, como também algumas denominações protestantes, admite os exorcismos ordinários, contidos no rito do batismo, como símbolo da libertação do pecado e do poder do demônio. Pratica-se o exorcismo ordinário na bênção da água batismal e na sagração dos santos óleos. Os exorcismos solenes, que têm por objetivo expulsar o demônio do corpo de um possuído, são práticas raríssimas e só confiadas, mediante permissão episcopal, a sacerdotes muito experientes. O exorcismo católico inicia-se com a expressão latina "Adjure te, spiritus nequissime, per Deum omnipotentem" (eu te ordeno, espírito maligno, pelo Deus Todo-Poderoso). O processo pode ser longo e extenuante, chegando a se estender por vários dias. A possessão está associada ao mal. O processo de libertação é feito de forma dramática e violenta. Os exorcistas recorrem as preces, água-benta, defumadores, essências de rosas e arruda. O sal que é associado à pureza espiritual também é utilizado. Porém, o cristianismo deste século tem uma atitude dividida em relação ao exorcismo. Por um lado, mantém distância de sua prática, atuando mais próximos a psiquiatras e médicos e autorizando estudos para esclarecer este fenômeno. Mesmo assim, a Igreja oculta os casos confirmados de possessão a prática dos rituais de expulsão. Ainda, o Papa João Paulo II declarou ter aplicado o exorcismo sob uma jovem, em 1982.

Dom Armando

publicado por igrejacatolicaortodoxa às 18:58
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Domingo, 9 de Março de 2008

EXORCISMO DE PESSOAS,CASAS,COMERCIOS E INDUSTRIAS

EXORCISMO DE PESSOAS, CASAS,COMERCIOS  E INDUSTRIAS
   
    MALDIÇÕES FAMILIARES

Muitas pessoas atribuem a sua falta de sorte a actos de macumba, bruxedos, feitiços, magias do livro de s.cipriano e invejas, o que acontece na verdade mas podem tambem ser vitimas, de maldições familiares.
 As maldições familiares não são mais do que acções do
compartimento mais escuro da magia realizadas contra uma pessoa e toda a sua família, as quais perduram por
mais ou menos cinco gerações.

Apesar de trazerem consigo muitos incómodos e poderem, inclusivamente, causar a morte, os feitiços dos
compartimentos mais escuros da magia cessam após um certo limite de tempo. As maldições são muito mais
maléficas, uma vez que afectam toda a família durante gerações, através da contaminação dos membros mais
directos da pessoa que foi amaldiçoada (filhos, netos, bisnetos, etc.).

O seu objectivo final é a dizimação de toda a família causando muito sofrimento. Pode ter acontecido que um seu
antepassado tenha sido amaldiçoado e esteja, agora, a maldição a reflectir-se na sua pessoa e na sua família.

EFEITOS DE UMA MALDIÇÃO NUMA FAMÍLIA
Falecimentos prematuros; mortes resultantes de tragédias ou por suicídio; múltiplas viuvezes - Esterilidade;
abortos sucessivos; doenças inexplicáveis - Prostituição; toxicodependência; alcoolismo; tendências suicidas,
depressões; alienações; loucura; esquizofrenia - Homicídio; detenções; problemas com a justiça - Divórcios
frequentes; insucessos no amor; solidões afectivas - Situações de insucesso escolar; profissional; negocial -
Sensação de estar continuamente a “dar um passo à frente e dois atrás” - Existência de adversários e inimigos
sem razão aparente; ...
Quais as razões que levam alguém a amaldiçoar uma família?
A vingança - O despeito - Os pactos com demónios
Como é possível saber se sofre de uma maldição familiar?
Analise a sua vida e vida dos seus familiares. Se possível recue no tempo. A resposta será SIM se encontrar 5 ou
mais dos sintomas acima descritos.
É possível remover uma maldição familiar?
Não é fácil, mas é possível. Haverá que ser realizado o  EXORCISMO SOLENE FEITO POR UM BISPO E 2 padres.
   
   

PRAGAS E MALDIÇÕES

"A palavra é dotada de poder para abençoar e amaldiçoar"

A língua é fonte de grandes bênçãos, mas pode também disseminar uma infinidade de males. Com a língua
lançamos pragas que não são mais do que espécies de maldições.
ESPÉCIES
As pragas e maldições podem ter carácter involuntário (fruto da nossa ignorância) ou voluntário (quando, numa
situação de raiva, ira, injustiça, revolta, etc., desejamos MESMO que algo de mal aconteça a alguém).
MALDIÇÕES INVOLUNTÁRIAS
Geralmente temos tendência para pensar que fomos amaldiçoados por alguém ou que nos rogaram uma praga.
Contudo, na maioria das vezes, auto-amaldiçoamo-nos de forma involuntária e recebemos na vida as consequência
pela libertação de palavras e expressões indevidas (ex: Sou um idiota -  não presto mesmo para nada - o meu
destino é sofrer - sou azarado - nasci para o fracasso - nunca vencerei, ...). Quanto ao nosso próximo, devemos ter
o cuidado de não proferir palavras menos edificantes, pois corremos o risco de o amaldiçoar.

É extremamente fácil praticar o acto da maldição contra os nossos filhos. Involuntariamente, é certo, pois os pais
(com raras excepções) apenas querem o melhor para eles. Mas os filhos, por serem cheios de energia e, em
muitos casos, desobedientes e teimosos, facilmente enervam os pais, que usam (sem disso terem consciência)
palavras e expressões de maldição.
MALDIÇÕES VOLUNTÁRIAS
A maldição voluntária ocorre quando é proferida intencionalmente, ou seja, quando desejamos que alguém que nos
feriu ou que, de algum modo, nos causou prejuízo moral, físico ou material, sofra "na pele" as consequências
dessa acção. Dependendo da intensidade da raiva, da entidade que invocamos para amaldiçoar e do facto da
pessoa em causa ter o "corpo aberto", a praga vai actuar. Pode demorar, mas vai atingir o alvo.

O problema é que quem lança uma praga ou maldição esquece ou não conhece ou ignora a chamada "Lei do
Retorno" e, também, vai ser atingido. Mais tarde ou mais cedo, mas vai. E em proporções muito maiores do que a
praga ou maldição que proferiu e atingiu o outro.
É possível remover uma praga ou maldição?
É possível. Haverá que ser executado o EXORCISMO e a protecção contra pragas e maldições para a vida futura.

ONDE SE REALIZAM EXORCISMOS EM PORTUGAL:
SEMINÁRIO DE SANTA FILOMENA 

TRAVESSA DE SANTO ANTÓNIO DA SÉ, 5 -LISBOA
TEL. 218880039


publicado por igrejacatolicaortodoxa às 14:11
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008

O EXORCISMO QUE CURA A ALMA

O Exorcista é por norma um bispo,que enriquecido com os dons carismáticos que Cristo concedeu aos apostolos e por mandato deste e no nome do Pai,filho e Espírito Santo,faz uma oração especial na qual,na forma Imperativa,ordena a Satanás e aos espiritos tenebrosos para sairem do corpo de uma pessoa, lugar, casa ou coisa. O exorcista não toca no corpo da pessoa a não ser com a estola e a santa cruz na cabeça. utiliza agua benta,os santos óleos e o incenso próprio para o exorcismo. Os sintomas da pessoa que necessita de exorcismo são: aversão ao sagrado,não gostar de entrar na igreja, bocejos irrefreáveis e ataques de sono, assim como emite arrotos e vómitos especialmente quando reza.Sensibilidade á agua benta,reações violentas embora normalmente a pessoa seja pacifica,blasfemar,pode mudar a voz ouvir sons estranhos, sentir presenças. A cura se alcança sempre embora varie o tempo que demora. Depois da cura é necessário viver em graça,fazendo uma boa confissão,viver a Eucaristia com a comunhão dentro da missa e a adoração do Santissimo Sacramento. Local onde se realiza SANTUARIO DE NOSSA SENHORA DAS LAGRIMAS E APARECIDA Rua das Canastras,26- Lisboa* tel. 218870037
publicado por igrejacatolicaortodoxa às 18:34
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Quarta-feira, 5 de Março de 2008

OS SANTOS ANJOS

Dois mundos

- o físico e o espiritual

Nosso mundo estaria totalmente empobrecido em conteudo se fosse constituido unicamente daquilo que podemos sentir e apalpar. Em um mundo assim concebido, sem passado e sem futuro, onde a morte vai ceifando todo empreendimento criativo, todo empenho para o bem e para a felicidade, a vida em si seria uma trágica contradição.

Entretanto, ao invés de se basear simplesmente nos sentidos do nosso corpo e ao fazer uso da razão e da espiritualidade o homem pode alcançar muito mais percepção da profundidade e mistério que existem no mundo. Assim, ele poderá perceber que além do mundo físico ele está circundado por um imenso mundo espiritual. No final do século passado e no início deste século uma atitude materialista ridicularizou qualquer possibilidade de forma de vida diferente daquela que existe no nosso mundo. Entretanto, graças ao rápido progresso da ciência durante os últimos cinquenta anos, o homem moderno alargou consideravelmente o seu campo de entendimento. Agora é bem sabido que o universo que habitamos, apesar de vasto, ele não é infinito. A real representação do mundo tem sido imensamente espiritualizada. Os cientistas vieram a entender que a matéria não é dura, indivisível e imutável substancia, mas uma das manifestações da energia. A energia pode tomar outras formas totalmente diferentes dos conhecidos átomos e moléculas.

Portanto, fora dos limites do mundo visível poderão existir outros mundos totalmente diferentes do nosso. Estas descobertas juntamente com os vôos espaciais, deram origem a uma grande e nova tendencia na literatura comporânea e também na indústria cinematográfica que aborda encontros com seres de outras galáxias e outros mundos. Este interêsse com relação ao alienígena e do incomum, infelizmente costuma intervir com fantasias que não são saudáveis e que possuem um caráter semi-demoníaco. De qualquer forma está evidente a procura do homem moderno em direção ao alargamento dos conceitos sobre o mundo.

Ao invés das extravagâncias, das fantasias dos teósofos e espiritualistas, a fé cristã oferece ao homem contemporâneo uma doutrina precisa e saudável com relação ao mundo espiritual. A fé cristã nos ensina que, além do mundo físico existe um enorme mundo angelical. Os anjos, assim como os seres humanos, possuem intelecto, o livre arbítrio e sentimentos similares aos nossos, porém, eles são espíritos desprovidos de corpo. Na verdade o nosso mundo visível é tão somente uma gota no oceano da criação Divina.

 

A natureza dos anjos

- sua hierarquia e seus serviços

Segundo as Sagradas Escrituras, os anjos, os seres humanos e toda a natureza foram criados por Deus. Nas palavras, "No princípio Deus criou o céu e a terra" (Gen.1:1), nós temos a primeira indicação de que Deus criou o mundo espiritual. Aqui, em contraste com a terra, o mundo da substancia, este mundo dos espíritos é chamado Céu. Os anjos já estavam presentes durante a criação dos céus estrelados, o que está evidenciado nas palavras de Deus para Jó, "Quando as estrelas foram criadas, todos os Meus anjos entoaram cânticos de glorificação para Mim" (Jó 38:7).

Referindo-se à criação dos anjos, São Gregório o Teólogo expressa os pensamentos que seguem: "considerando que para a benevolência de Deus não era suficiente estar ocupado apenas com a contemplação de Si mesmo, era necessário que o bem se alastrasse cada vez mais, de forma que o número daqueles que recebessem a graça fosse o maior possível (porque esta é a característica da mais alta benevolência) - portanto, Deus planejou primeiramente o exército celeste dos anjos; e o pensamento se tornou dever, que foi completado pelo Verbo e tornado perfeito pelo Espírito... E como as primeiras criaturas agradaram-No Ele planejou um outro mundo, material e visível, uma composição ordenada do céu e da terra e o que está entre eles."

Anjo no idioma grego significa mensageiro, Este termo denota principalmente a sua relação para com o homem. Os anjos, como fossem nossos irmãos mais velhos, revelam a nós a vontade de Deus e assistem-nos para alcançarmos a salvação. O homem, desde o tempo do paraíso tinha conhecimento da existência dos anjos. Este fato está refletido nas muitas religiões antigas.

É difícil entendermos a vida dos anjos e o mundo onde vivem porque eles são muito diferentes de nós. É sabido que os anjos servem a Deus, levam a Sua mensagem e O glorificam. Como pertencem a um mundo espiritual normalmente são invisíveis para nós. "Quando os anjos, através da vontade de Deus, aparecem aos justos, estes não os vêem na sua forma original mas transformados, tornados visíveis" - explica São João Damaceno. No conhecido livro de Tobias (Antigo Testamento), o anjo que acompanhou Tobit e o seu filho fala de si mesmo: "Vós me observáveis, eu não comia em realidade, mas em visão é que me julgáveis comer" (Tobias 12:19). Segundo João Damaceno, "os anjos são chamados espirituais e não-corporeos quando comparados a nós. Na comparação com Deus tudo se torna grosseiro e material. Porque somente a Divindade é verdadeiramente não-material e não-corpórea.."

Anjos são superiores aos homens na força espiritual. Entretanto, mesmo estes, sendo seres criados, carregam em si a marca das limitações. Desprovidos de corpo, são menos dependentes que os homens no tempo e no espaço. Entretanto, somente Deus é onipotente e oniciente. As Sagradas Escrituras representam os anjos, ora descendo do céu para a terra ora ascendendo de volta para o céu. Anjos foram criados imortais, como testemunham as Escrituras, ensinando que os anjos não morrem: "e já não podem morrer outra vez, porque são iguais aos anjos e filhos de Deus, sendo participantes da Ressurreição" (Lucas 20:36). Mesmo assim, a sua imortalidade não é própria de sua natureza nem é incondicional mas tal qual a imortalidade das nossas almas, depende inteiramente da vontade e da misericordia de Deus.

Como são desprovidos de corpo, os anjos são capazes de um auto-desenvolvimento interior até um altíssimo nível. O seu intelecto é superior ao do homem. Pela sua força e poder, como explica o apóstolo Pedro, eles superam todas as autoridade terrenas e governos (2 Pedro 2:11). Não obstante os seus altos atributos eles tem seus limites. As Escrituras mostram que os anjos desconhecem a profundidade da essencia Divina, que é somente do conhecimento do Espírito de Deus (1 Corintios 2:11). Eles desconhecem o futuro, que é tão somente do conhecimento Divino (Marcos 13:32). Da mesma forma, eles não tem compreensão plena dos mistérios da redenção onde almejam penetrar (1 Pedro 1:12). Nem mesmo tem conhecimento dos pensamentos do homem (3 Reis 8:39). Finalmente, por eles mesmos eles não tem poder de fazer milagres sem a vontade de Deus.

Nas Sagradas Escrituras o mundo dos anjos é representado como extraordinariamente vasto. Quando o profeta Daniel viu Deus Pai, ele também viu que "milhares de milhares serviam-No e dez mil vezes dez mil se postaram diante Dele" (Daniel 7:10). Durante o nascimento de Jesus em Belém "de repente, ajuntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus" (Lucas 2:13).

São Cirilo de Jerusalém diz o seguinte: "Imagine como é numerosa a população romana, imagine como são numerosas as tribos bárbaras que hoje existem e quantos deles morreram durante cem anos, imagine quantos foram enterrados durante mil anos, imagine todo o povo começando por Adão até o presente dia, existe uma grande multidão. Mesmo assim é ainda pequena quando comparada aos anjos, que são muitos mais! Eles são noventa e nove ovelhas da parábola enquanto que a humanidade é apenas uma ovelha. A terra inteira habitada por nós é como um ponto no céu e mesmo assim contem uma imensa multidão; que numerosa multidão existe no céu... Está escrito que milhares de milhares serviram-No, e dez mil vezes dez mil se postaram diante Dele, isto porque o profeta não soube expressar um número maior."

Considerando tamanho multidão de anjos, é evidente que supomos, como acontece no mundo material, há vários graus de perfeição e portanto, vários estágios de hierarquia das forças celestes. Assim, a palavra de Deus chama uns de Anjos e outros de Arcanjos (1 Tess. 4:16; Jud. verso 9).

A Igreja Ortodoxa, guiada pela orientação dos antigos escritores e Pais da Igreja, divide o mundo dos anjos em nove níveis de anjos e estes nove em tres hierarquias, cada uma delas tendo tres níveis. A hierarquia mais alta consiste daqueles que estão mais próximos a Deus que são, os Tronos, Querubins e Serafins. Na segunda hierarquia estão as Autoridades, Dominações e Poderes. Na terceira, que está mais próxima a nós, estão os Anjos, Arcanjos e Soberanos. Assim, a existencia dos Anjos e Arcanjos é testemunhada por quase todas as páginas das Sagradas Escrituras. Os livros dos profetas fazem menção aos Querubins e Serafins. Querubim significa estar próximo, assim, aqueles que estão próximos. Serafim significa impetuoso. Os outros níveis são mencionados pelo apóstolo Paulo na sua epístola aos Efésios, dizendo que Cristo nos céus está "acima de todo Principado, Poder, Virtude, Dominação e acima de todas e qualquer outra dignidade que possa existir neste mundo ou no mundo que há de vir" (Efésios 1:21).

Além dos níveis angelicais, São Paulo nas epístolas aos Colossenses nos ensina que o Filho de Deus criou tudo, o visível e o invisível, "Tronos, Autoridades, Soberanias, Poderes" (Col. 1:16). Consequentemente quando juntamos os Tronos aos outros quatro sobre os quais o Apóstolo fala aos Efésios, (Soberanias, Autoridades, Poderes e Dominação) completam-se cinco níveis; e a estes adicionamos Anjos, Arcanjos, Querubins e Serafins, aí temos nove níveis.

Além do mais, alguns Pais da Igreja são de opinião que dividindo-se os anjos em nove categorias, isto concerne apenas aqueles nomes que nos são revelados pela palavra de Deus e não englobam outros nomes de categorias que ainda não foram reveladas. Por exemplo o apóstolo João, o Teólogo menciona no livro da Revelação criaturas misteriosas e os sete espíritos junto ao trono de Deus: "a vós, graça e paz da parte daquele que é, que era e que vem, da parte dos Sete Espíritos que estão diante do seu Trono" (Apocalipse 1:4). O Apóstolo Paulo na sua epístola aos Efésios escreve que Cristo habita no céu muito além dos anjos enumerados e "todo nome que é chamado, não tão somente neste tempo mas também no tempo que virá." Assim ele insinua que no Céu existem outras criaturas espirituais cujos nomes ainda não foram revelados à humanidade.

Nas Sagradas Escrituras alguns anjos são chamados pelos seus nomes próprios. Por exemplo o profeta Daniel, o apóstolo Judas e livro da Revelação mencionam que o arcanjo Miguel (Josué 5:13, Daniel 10:13 e 12:1) Judas verso 9, Revelação 12:7-8). O nome Miguel em hebraico significa Aquele que é como Deus. Nas Sagradas Escrituras ele é mencionado como o exército de Deus e é descrito como o principal lutador contra o diablo e seus servos. Constuma-se representá-lo segurando uma espada flamejante. O nome Gabriel significa força de Deus. Tanto o profeta Daniel como o evangelista Lucas mencionam Gabriel (Daniel 8:16, 9:21; Lucas 1:19-26). Nas Sagradas Escrituras ele é representado como mensageiro dos mistérios de Deus. Nos ícones ele é pintado com um lírio na mão. As Sagradas Escrituras mencionam pelo nome mais tres anjos: Rafael - Assistencia de Deus, Uriel - Chama de Deus e Salatiel - o livro de Preces de Deus (Tobias 3:16 e 12:12-15; 3 Esdras 4:1 e 5:20; Esdras 5:16).

A que são designados os seres do mundo espiritual? Certamente eles são designados por Deus a refletir o mais perfeito reflexo de Sua magnitude e glória com a inseparável participação na Sua Graça. Se, sobre o céu visível é dito, "os céus proclamam a glória de Deus" tanto mais é o objetivo do mundo espiritual. O profeta Isaías teve a graça de vislumbrar "o Senhor sobre um elevado Trono, Seu manto enchia o santuário; serafins mantinham-se sobre ele, tendo cada um seis asas; duas para cobrir a Face, duas para cobrir os pés; e duas para voar. E clamavam uns aos outros, dizendo: ' Santo, Santo, Santo é Javé dos exércitos '. Sua Glória enche toda a terra." Isaias 6:1-4; Esequiel cap. 10).

 

Anjos Decadentes

Deus criou todos os anjos como seres celestes benevolentes. Entretando, como os humanos, foram seres dotados de livre arbítrio, poderiam fazer a escolha entre obedecer ou se opor a Deus, optar pelo bem ou pelo mal. Alguns deles, liderados por Lucifer, um dos mais próximos de Deus, usou de sua liberdade e se rebelou contra Deus. Eles foram expulsos do céu e estabeleceram o seu próprio reino - o inferno. Lúcifer, que significa portador da luz foi renomeado para Satã, que significa antagônico. Ele também é chamado diabo (que significa caluniador), a serpente, e o dragão. As palavras do Salvador, "Eu vi Satã, decaido do céu como um dardo de relâmpago," se referem ao fato pré-histórico, a rebelião de Lúcifer e os outros anjos contra Deus. Isto é descrito no livro da Revelação com os seguintes detalhes: "Houve uma batalha no céu: Miguel e seus anjos guerrearam contra o dragão. O Dragão e seus anjos combateram, mas não conseguiram vencer. Nem se encontrou mais o seu lugar no céu. O Grande Dragão, antiga serpente, chamado Diabo e Satanaz, o sedutor do mundo inteiro, foi derrubado e seus anjos foram atirados com ele na terra" (Revelação 12:4). Das palavras iniciais do capitulo 12 do livro da Revelação, onde é dito que o dragão seduziu um terço das estrelas no céu, alguns concluem que neste tempo Lúcifer seduziu um terço dos anjos existentes. Estes anjos decaidos são chamados demônios.

Tornando-se malévolos, os anjos decadentes tentam seduzir os homens ao caminho do pecado e assim levá-los à perdição. É estranho notar que os anjos decadentes temem o reino por eles criado, o inferno ou o abismo. De fato, quando Jesus Cristo Salvador curou o homem possesso pelos demonios e quis mandá-los de volta ao inferno eles imploraram para entrar no rebanho de porcos (Lucas 8:31). O Salvador chama o demônio de "assassino desde o início e o pai das mentiras" tendo-se em mente aquele momento no qual tomando a forma de serpente ele enganou os nossos antecessores Adão e Eva para que quebrassem o mandamento de Deus e com isto privando-os da vida eterna (Genesis 3:1-6; João 8:44). A partir deste momento ganhando poder para influenciar pensamentos, sentimentos e atos dos homens o diabo e seus demonios almejam mover cada vez mais fundo em direção ao atoleiro do pecado no qual eles mesmos se afogaram: "Aquele que peca vem do diabo, porque o diabo ele mesmo pecou primeiro.... Todo aquele que comete um pecado é um escravo do pecado" (1 João 3:8; João 8:34). A presença do dos maus espíritos entre nós apresenta um constante perigo. Por isso que o Apóstolo Pedro conclama-nos: "Sejam sóbrios e alertas, porque o vosso inimigo, como um leão que ruge, está à procura de alguém para devorar" (1 Pedro 5:8). Similarmente apóstolo Paulo se expressa:" Revestí-vos da armadura de Deus para que possais resistir as ciladas do Diabo pois não temos que lutar contra a carne e o sangue mas contra os principados, as potestades, os dominadores deste mundo e os espíritos malignos dos ares" (Efésios 6:11-12).

A partir destas advertências que estão nas Sagradas Escrituras, estamos sempre cientes de que a nossa vida representa uma persistente batalha para a salvação de nossa alma. Queira ou não, todo o ser humano desde a mais tenra infância está sujeito a optar entre o bem e o mal, entre a vontade de Deus e do demônio. A batalha entre o bem e o mal se iniciou mesmo antes da criação do mundo e assim continuará até o dia do Juizo Final. Na verdade a batalha no céu já terminou, com a completa derrota do mal. Mas o campo de batalha se transferiu para o nosso mundo, mais precisamente em nossas mentes e corações. Como veremos adiante, os anjos bons, especificamente o nosso Anjo da guarda, nos socorrem ativamente na nossa batalha contra o mal.

Campo de Ação dos anjos

em relação ao homem

Em contraste com os espíritos maléficos, os anjos bons sentem compaixão por nós e com freqüência nos protegem e nos ajudam. Quanto a isso o apóstolo Paulo escreve: "Não são eles por acaso os espíritos enviados a serviço, por causa daqueles que herdarão a salvação?" (Hebreus 1:14).

As Sagradas Escrituras tem fartas narrativas com relação à ajuda dos anjos. Daremos apenas alguns exemplos. Abraão enviou seu servo a Nahor, convencendo-o que o Senhor enviaria com ele Seu Anjo e iria possibilitar uma favorável jornada. Dois anjos salvaram Lot e sua família na fuga da cidade de Sodoma destinada a ser destruida. O patriarca Jacó, retornando para o seu irmão Isaú, foi encorajado por uma visão onde aparecia uma multidão de anjos. Pouco antes de sua morte, enquanto abençoava seus netos Jacó disse a José: "Um anjo que me redimiu de todo o mal abençoará estas crianças." Um anjo contribuiu para a saida dos hebreus para fora do Egito. Um anjo ajudou Josué durante a conquista da Terra Prometida. Um anjo ajudou os juizes hebreus a repelir os inimigos. Um anjo salvou os habitantes de Jerusalém da morte certa quando a armada assíria de 185000 homens cercou a cidade. Um anjo salvou três adolecentes quando estes foram jogados dentro de uma fornalha incandescente e mais tarde salvou o Profeta Daniel quando este foi jogado aos leões (Gen. 32:1-2 e 48:16; Êxodo 14:19 a 23:20; Josué 5:13-14; Juizes 2:1 e 13:3; Isaías 37:37; Daniel 3:49, 6:22).

Aparições de anjos ao homem são constantemente revelados no Novo Testamento. Um anjo anunciou a Zacarias a concepção de São João Batista. Um anjo anunciou à Puríssima Virgem Maria a concepção do Salvador e apareceu em sonho a José. Uma multidão de anjos louvou e glorificou o nascimento de Cristo e um anjo anunciou a boa nova do nascimento de Cristo aos pastores e evitou o retorno dos mensageiros de Herodes. Com a vinda do Filho de Deus as aparições de anjos se tornaram mais frequentes, um fato que o Nosso Senhor profetizou aos apóstolos, dizendo que dali em diante o céu se abriria e que eles, os apóstolos, iriam ver "os anjos ascendendo e descendendo para o Filho do Homem." Certamente os anjos serviram Jesus Cristo durante as tentações no deserto e um anjo veio fortalece-Lo no Jardim de Getsemane. Anjos anunciaram às piedosas mulheres de Sua Ressurreição e aos apóstolos, por ocasião da Ascenção de Cristo da Sua vinda à terra pela segunda vez. Um anjo libertou os apóstolos de prisão, bem como o apóstolo Pedro que tinha sido condenado à morte. Um anjo apareceu a Cornélio e instruiu-o chamar o apóstolo Pedro para que ele, Pedro, instruisse Cornélio na palavra de Deus (João 1:51; Atos 5:19, 12:7-15 e 10:37).

Nosso Senhor Jesus Cristo por diversas vezes fez menção aos anjos. Segundo Suas palavras os anjos conduziram a alma de Lázaro o mendigo ao seio de Abraão. (Lucas 16:22). O arrependimento de um pecador já é motivo de júbilo para os anjos. (Lucas 15:10). Eles virão com Ele antes do final dos tempos e irão separar os justos dos pecadores (Mateus 13:39-41, 16:27). Ao observar as recomendações de Nosso Senhor Jesus Cristo e através de muitos exemplos bíblicos e do nosso dia a dia percebemos que os anjos agem sempre com bondade no atendimento do bem e da salvação dos homens. (Lucas 16:22 e 15:10 - Mateus 13:39-41, 16:27 e 25:3-31).

Ao mesmo tempo, os anjos estão totalmente devotados a Deus. Quando o homem transgride as leis de Deus um anjo o detém e até o castiga. Por exemplo por ocasião da expulsão dos pecadores do paraíso o Querubim ficou de guarda na porta do Paraiso empunhando uma espada de fogo. Um anjo com uma espada se postou diante do profeta Balaão para dete-lo de sua má intenção. Um anjo golpeou Herodes na Cesaréia por causa de seu orgulho. (Atos 12:23). O Livro das Revelações nos fala dos anjos que castigaram os pecadores (Apocalipse 8-19). É importante observar que o castigo aqui tem um propósito de benvolência: para que os pecadores se conscientizem do seu pecado e se arrependam e para direcioná-los a se voltarem a Deus (Genesis cap.3, nr. 22:23, Atos 12:23, Revel. cap 8-19 e 16:11).

Na verdade os anjos, pela vontade de Deus, participam na vida de todas as nações de uma maneira muito mais intensa do que supomos. Através da visão do profeta Daniel, é sabido que existem anjos a quem Deus confiou o destino de povos e nações da terra(Daniel cap. 10-12). Sobre isto os santos Pais da Igreja expressaram os seguintes pensamentos: "Alguns deles (anjos) se postam diante do Grandioso Deus, outros, através de seu empenho sustentam o mundo inteiro" (São Grégório o Teólogo - "Hinos Místicos," Homilia 6).

Desde os tempos antigos tem sido costume da Igreja se dirigir aos anjos através de orações. Mesmo no Antigo Testamento, os hebreus tinham no topo da Tábua dos Dez Mandamentos e mais tarde no Santíssimo, imagens de Querubins. Os hebreus costumavam rezar diante deles. Foi entre estes dois Querubins que Deus falou a Moisés. Os anjos se manifestam como portadores da santidade de Deus; por isto foi ordenado a Josué quando apareceu um anjo: "tire as suas sandálias dos pés porque o lugar que estais pisando é santo" (Êxodo 25:18-22 3 Reis 6:23; Josué 5:15).

O Anjo da Guarda

"Um Anjo da paz, fiel guia e guardião de nossas almas e corpos..." assim rezamos durante os serviços. A Igreja Ortodoxa acredita que toda a criança recebe de Deus um Anjo da Guarda. Nosso Senhor Jesus Cristo disse: "Estejam atentos e não desprezem nenhum destes pequeninos; pois Eu vos digo, os seus anjos sempre vêem a face do Meu Pai no céu" (Mateus 18:10).

O abençoado Agostinho escreve: "Os anjos estão conosco em toda hora e todo lugar, com muita atenção e incansável empenho nos auxiliam e prevêem nossas necessidades e se portam como mediadores entre nós e Deus e elevando a Ele nossos gemidos e suspiros... acompanhando-nos nas nossas viagens eles vão e voltam conosco atentos e observadores do nosso comportamento se estamos sendo honestos e honrados em meio à maldade que nos cerca e observando a nossa intenção no empenho da salvação eterna." Um pensamento similar é expresso por São Basílio o Grande: "Todo aquele que tem fé tem um anjo, que, como um orientador para a criança direciona sua vida." E, para confirmar isto ele faz menção do Salmo que diz sobre Deus que: "pois a seus anjos Deus ordenará em teus caminhos todos te guardarem" (Salmo 90:11, Salmo 33:8). Bispo Teófanes o Recluso instrui em uma de suas cartas, "devemos nos lembrar que temos um Anjo da Guarda e procurá-lo em nossos pensamentos e corações. Isto é bom nos tempos pacíficos e especialmente durante as tempestades. Quando falta este contato ele não tem como influenciar-nos. Por exemplo se alguém se aproxima de uma areia movediça ou um abismo de olhos e ouvidos vedados,como poderá receber auxilio?

Assim o cristão deverá lembrar-se de seu bom anjo, que no decurso de sua vida inteira se preocupa com ele, se alegra pelo seu aprimoramento espiritual e sofre com as suas recaidas. Quando o cristão morre seu anjo conduz sua alma a Deus. Ao se transportar ao mundo espiritual, segundo muitos relatos, a alma vem a conhecer o seu Anjo da Guarda.

Segue uma curta oração da manhã ao nosso Anjo da Guarda (extraido do Livro de orações russo):

Anjo de Deus, meu santo protetor, que me foi enviado por Deus para minha proteção, fervorosamente eu lhe imploro: me ilumine e me preserve de todo o mal, me oriente nas boas ações e me direcione no caminho da salvação. Amém.

*** *** ***

Adendum

Falsos Anjos

Dr. Steven Buchnell

O início dos anos 90 se caracterizou por uma invasão de literatura sobre os anjos. Muitos destes livros contém relatos tocantes sobre o papel dos anjos na salvação de almas no dia a dia de suas vidas. Todos estes livros recomendam uma postura de abertura e confiança para com os anjos e aceitação de sua boa influência. Muitos destes autores encorajam uma vida centrada nos anjos e a confiança de sua influência e ao mesmo tempo advertem que as vezes anjos tem um comportamento diferente e tomam aparencia não-angelical.

Neste ponto quase todos estes autores se calam quanto a um aspecto muito importante deste tema ou seja, que o diabo e sua legião de demonios, anjos decadentes, que estão aptos a mascarar-se em anjos luminosos para destruir as almas. Desde as cartas de São Paulo (2 Cor. 11:14) até os tempos modernos, os documentos da Igreja descrevem como estes anjos decadentes se mascaram não somente em anjos luminosos mas também em santos, Nossa Senhora Virgem Maria e Cristo.

Por exemplo, no seu discurso sobre a importância em discriminar anjos, São João Cassiano conta como um monge causou sua própria morte e como, em outra ocasião, outro monge estava preparado para matar seu próprio filho. Em ambos os casos demônios disfarçados em anjos eram a causa de tudo (Filokalia vol I). Em outra ocasião e em outro lugar, as cavernas de Kiev, é registrado que um jovem monge de nome Nicetas reverenciou um anjo que tinha lhe dito não gastar tempo em orações, o que seria feito por ele pelo próprio anjo e que seria mais prioritário para Nicetas investir em leitura. Enquanto que o pseudo-anjo rezava, Nicetas se tornou vidente. Em pouco tempo ele passou a não querer mais ouvir sobre o Evangelho, ao invés disso preferindo se aprofundar no Antigo Testamento. Finalmente os colegas monges perceberam que ele estava possesso pelo demônio conseguiram recuperá-lo através de oração. Nicetas se arrependeu, e, pela graça de Deus, mais tarde veio a ser ordenado bispo da cidade de Novgorod, um pastor para seu rebanho e autor de milagres. Conhecemo-lo como São Nicetas o Recluso.

"Tomai cuidado com os falsos profetas. São os que chegam perto de vós sob a aparência de ovelhas mas por dentro, de fato, são lobos vorazes" (Mateus 7:15-16). "Pelo contrário, eis o fruto do espírito; caridade, alegria, paz, paciência, gentileza, bondade, fidelidade, doçura, auto-dominio, contra tais coisas não existe lei" (Gal.5:22-24).

Para colocar em prática estas palavras de Cristo e São Pedro torna-se muito difícil para nós identificar anjos verdadeiros dos demônios disfarçados em vista da nossa fragilidade humana, que é o nosso estado de pecado, a nossa auto-ilusão à qual nos permitimos conscientemente e por outro lado os milhares de anos de experiência do inimigo do homem e de Deus. Através do exemplo destes monges, que eram pessoas que dedicaram por inteiro suas vidas a Deus, vemos que nem estes estão isentos de serem enganados pelo demônio. Os Santos Pais da Igreja, sábios pela graça do Espírito Santo, com muito amor nos procuram convencer de que o melhor caminho é rezar e a procurar a humildade e a orientação de um pai espiritual. Eles são enfáticos em nos alertar a sermos cautelosos e questionar com rigor e procurar um pai espiritual experiente, quando acontecem estas visões. Quando temos dúvida, mesmo pequena, sobre a procedência, é preferível dizer, "eu não sei se é verdadeiro," e colocar o assunto de lado ou simplesmente rejeitá-lo e não procurar visões ou sensações de beatitude mas rezar e pedir proteção a Deus. Se a visão for verdadeira, procedente de Deus, Deus nos ajudará e os anjos se alegrarão com a nossa humildade e sobriedade. (Veja a Filokalia, vol I, III e IV da edição inglesa para alguns assunto pertinentes). Resumindo, o que os Santos Pais da Igreja nos falam é muito diferente do que falam os autores dos livros populares de hoje.

O demônio mente, calunia, e provoca confusão e para atingir seu objetivo ele irá mentir para nós, não somente através de palavras mas de disfarces de qualquer tipo. Qualquer fenômeno sobrenatural que é motivo de confusão e distração (os chamados seqüestros por alienígenas como um exemplo atual) poderá ser um tipo destes disfarces.

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publicado por igrejacatolicaortodoxa às 15:35
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A RESSURREIÇÃO DE CRISTO 3

O Sermão De Páscoa De

São João Crisóstomo

(Arcebispo de Constantinopla).

Há alguém que é amante devoto de Deus?

Deixa-os desfrutar esta festa resplandecente!

Há alguém que é um servo grato?

Deixa-os se deleitarem e entrarem na alegria de seu Criador!

Há alguém aborrecido com o jejum?

Deixa-os receber agora suas remunerações!

Se alguém trabalhou na primeira hora, deixa-os receberem suas gratificações!

Se alguém chegou após a terceira hora, deixa-o juntar-se à Festa com gratidão!

E ele, que chegou após a Sexta hora, não o deixa duvidar; ou ele também sustentará a perda.

E se alguém se atrasou até a nona hora, não o deixa hesitar; mas deixa-o vir também.

E ele, que chegou sòmente na décima-primeira hora, não o deixa Ter medo por sua demora.

Pois Deus é Bondoso e recebe o último igual ao primeiro.

Ele dá paz a aquele que chega na décima-primeira hora, tanto quanto se ele tivesse trabalhando desde a primeira hora.

A estes Ele dá e junto aos outros Ele concede.

Ele aceita o trabalho tanto quanto acolhe o esforço.

A proeza, Ele honra, e a intenção, Ele aprova.

Vamos todos entrar na alegria de Deus!

Primeiro e último, igualmente recebem sua recompensa; rico e pobre, se alegram juntos!

Sensato e preguiçoso, celebram o dia!

Você que guardou o jejum, e você que não jejuou,

alegrem-se hoje, pois Mesa esta farta com opulência!

Festeja regiamente, o novilho é cevado.

Não deixe ninguém ir com fome. Participem todos da taça da fé!

Desfrutem todas riquezas de Sua bondade!

Não permita que ninguém se aflija em sua miséria,

Pois o reino universal foi revelado.

Não deixa ninguém lamentar-se porque caiu de novo e novamente;

pois o perdão ergueu-se do túmulo.

Não deixa ninguém temer a morte, pois a Morte do nosso Salvador nos libertou.

Ele a destruiu por tê-la suportado.

Ele destruiu o Inferno quando desceu até ele.

Ele o colocou num túmulo mesmo que ele tinha o gosto de Sua carne.

Isaíais profetizou isto quando disse,

"Você, oh inferno, se perturbou quando O defrontou"

O inferno estava em tumulto porque foi liquidado.

Ele estava em tumulto porque está escarnecido.

Estava em tumulto pois está destruído.

Está em tumulto, pois está aniquilado.

Está em tumulto, pois agora está prisioneiro.

O inferno pegou o corpo, e descobriu Deus.

Tomou a terra e encontrou o Céu.

Tomou o que viu, e vencido pelo que não viu.

Oh, morte, onde está sua tormenta?

Oh, inferno, onde está sua vitória?

Cristo está ressuscitado, e você, oh morte, está aniquilada!

Cristo está ressuscitado, e os perversos estão derrubados!

Cristo está ressuscitado, e os Anjos se alegram!

Cristo está ressuscitado, e a vida está libertada!

Cristo está ressuscitado, e o túmulo está vazio da morte; pois Cristo se ergueu da morte,

Estão vindo os primeiros-frutos daqueles que adormeceram.

A Ele a Glória e o Poder para todo o sempre. Amém!

 

Nota - Observação

A respeito do Milagre da Ressurreição de Cristo dos mortos, há o testemunho do fogo abençoado, o qual se acende todos os anos na noite de Páscoa em Jerusalém, no Templo da Ressurreição de Cristo, o qual foi construído no local do sepultamento e Ressurreição do Salvador. A origem deste fogo é inexplicável. Quando o fogo abençoado surge, ele não queima podendo ser passado pelo rosto. Apenas após algum tempo ele adquire a temperatura normal de fogo. O Patriarca Ortodoxo de Jerusalém (ou seu substituto), após receber o fogo, acende velas com ele e imediatamente as distribui entre os muitos crentes que se encontram no Templo. O fogo abençoado causa uma enorme impressão em todos os presentes e os torna felizes. É magnífico também notar que o fogo abençoado desce apenas para os ortodoxos e sempre na Páscoa Ortodoxa. Representantes de outras religiões, os quais também oram Nesse Templo, não recebem o fogo.

 

A páscoa dos hebreus é celebrada no 14o dia do mês lunar de Nissan. Esse dia sempre acontece na primavera, na lua cheia. A Páscoa Cristã é estreitamente conectada com a páscoa dos judeus. O Primeiro Concílio Ecumênico tendo se reunido em Nicéia no ano 325, decretou que a Páscoa Cristã fosse celebrada no Domingo, no equinócio primaveril, e obrigatoriamente após a páscoa dos judeus. De acordo com essa ordenação do Concílio e com cálculos astronômicos, os estudiosos alexandrinos desenvolveram um sistema para calcular a Páscoa Cristã para cada ano. Assim, surgiu a "Pascoalha," - tabela dos dias da Páscoa para muitos anos adiante. Alterações dos dias de Páscoa se repetem a cada 532 anos (indiction). De acordo com a "Pascoalha," a Páscoa Cristã que acontece mais cedo, acontece no dia 22 de março pelo estilo antigo (4 de abril pelo novo estilo), e a mais tardia - 25 de abril (estilo antigo), 8 de maio (novo estilo), com o movimento da Páscoa, movimentam-se também o Grande Jejum e a celebração da Entrada do Senhor em Jerusalém (Domingo de Ramos), que acontece uma semana antes da Páscoa; a Ascensão de Cristo (no 40o dia após a Páscoa) e a Santíssima Trindade (no 50o dia após a Páscoa). De acordo com a "Pascoalha," a Páscoa em 1.999 foi no dia 11 de abril; no ano 2.000 ocorrerá em 30 de abril; em 2.001 - 15 de abril; 2.002 - 5 de maio.

A Ressurreição de Cristo foi testemunhada por Anjos e Apóstolos: Mat. 28:5-7, Mar. 16:5-7; Luc. 24:4-7. 1Cor. 15:15; Seus inimigos Mat. 28:11-15, e mais de tudo - por aquele mar de milagres, os quais aconteciam e continuam acontecendo em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo.

 

Páscoa na Rússia

As datas da Páscoa são divergentes na religião católica e na ortodoxa. Os ortodoxos continuam a respeitar o calendário juliano. Em 1700, o czar reformador, Pedro o Grande, decretou substituir este calendário pelo gregoriano, geralmente adoptado na Europa. Todavia, a Igreja Ortodoxa não quis abandonar a tradição e continua a celebrar a Páscoa pelo calendário antigo. Os católicos e os protestantes adoptaram o calendário gregoriano e, daí, surgiu a leitura divergente das datas.

Por isso, a Páscoa não tem data fixa e, subsequentemente, variam as datas do Jejum, da Santa Trindade, da Montanha Vermelha, do Domingo dos Ramos. A data da Páscoa calcula-se a partir das Pascálias, tabelas especiais calendarizadas para muitos anos.

Na Rússia, a Páscoa apareceu juntamente com o Cristianismo, após a cristianização da Rússia durante o reinado do príncipe de Kiev, Vladimir.

Para os ortodoxos, esta festividade era sempre um evento solene e alegre, ao mesmo tempo. Na véspera, na noite de Grande Sábado, os beatos concentravam-se junto dos templos. Nas aldeias que não tinham a igreja, os camponeses andavam muitos quilómetros para assitir à missa no santuário mais próximo. E nas cidades - sobretudo em Moscovo e São Petersburgo - as ruas e os edifícios eram exuberantemente iluminados, nos campanários acendiam tochas. Com o primeiro repique do campanário, cada crente acendia a sua vela individual. O clero, trajando indumentas claras, saía fora das igrejas, exibindo crucificações, estandartes e ícones. O coro anunciava cantando a ressurreição de Cristo, dando abertura a uma procissão à volta do templo. Na Rússia, a Páscoa era sempre assinalada com uma ampla actividade de beneficência. Independentemente da sua condição social, todo o mundo ia aos hospitais, asilos de velhos e prisões. Até mesmo os monarcas russos acatavam esta tradição. Com palavras "Cristo Ressuscitou!," davam dinheiro, roupas e alimentos aos doentes e deficientes. Não raro, os criminosos recebiam perdão e comutação da pena por causa da grande festa. Tanto os ricos como os pobres faziam uma peregrinação semanal pelos mosteiros e santuários, dando esmola em toda a parte. Os padres iam de casa em casa com ícones, entoando cânticos e salmos. Nas aldeias, os camponeses, com o padre à frente, dirigiam-se ao campo para ministrar benção à futura colheita.

Na véspera, todo o mundo, trajando o melhor do que tinham na sua guarda-roupa, se dirigia à missa noturna. A liturgia terminava com a benção da páscoa (massa feita de requeijão doce com uvas passas), do bolo da Páscoa e dos ovos pintados que, imediatamente, eram trocados entre os crentes.

Não se trocavam apenas os ovos pintados de galinha, de pata e de gansa, mas também os ovos executados em madeira, com desenhos e ornamentos bizarros. Localidades inteiras se dedicavam a esse tipo de actividade, por exemplo, os pintores da Câmara de Armas de Moscovo e os frades do mosteiro Troitse-Serguiev, situado a 75 kms da capital. O famoso joalheiro Fabèrge, oriundo de França, que trabalhou na Rússia, fabricava os ovos de Páscoa de pedras preciosas e semipreciosas.

Um importante elemento dos festejos pascais na Rússia era a chamada saudação em nome de Cristo, isto é, dar beijos um ao outro, como símbolo de amor pelas pessoas, dos melhores votos, da alegria e da rejeição do mal.

O aspecto ritual da Páscoa conservou-se até hoje, quase sem mudar. A festa do povo complementava as solenidades religiosas. Tanto mais que depois de sete semanas do jejúm rigoroso era permitido comer tudo. Durante a festa as mesas eram abundantes, com vinho, vodka, doces, bolos, pratos de peixe e carne, proibidos no período do jejúm.

Os jogos colectivos, passeios com canções e danças e visitas diversificavam a festa. Nos pátios montavam baloiços para as crianças. Depois de um longo e monótono Inverno, a juventude saía pela primeira vez para passear ao ar livre.

Durante a Páscoa muitos iam aos cemitérios para deixar nos túmulos ovos pintados, bolos e doces. Esta tradição conserva-se na Rússia até hoje.

Actualmente, quando se assiste ao ressurgimento dos valores cristãos, a celebração da Páscoa adquire um sentido especial. A Páscoa era e continua sendo o símbolo do triunfo da doutrina ortodoxa. E para dizer mais, o símbolo da unidade nacional, dos princípios morais verdadeiros da sociedade russa.

Iuri Godunski

 

 

Pastoral Pascal

De Dom Alexandre, Exmo. Sr. Bispo

de Buenos Aires e de toda América do Sul.

Cristo Ressuscitou!

Através de toda nossa vida somos atormentados por um paradoxo que não pôde ser explicado nem mesmo pelos maiores pensadores. Por um lado, todo ser vivo sem exceção, aspira a vida, o desenvolvimento e a felicidade, seja um ser humano, um vegetal ou o mais insignificante microorganismo.

Por outro lado, existe sofrimento no mundo e uma inconcebível atuação destrutiva. Toda alegria, mais cedo ou mais tarde, fica obnubilada pela tristeza, e cada vida inevitavelmente terminará em morte. A tragédia deste contraste quem mais sente é o homem. Mesmo quando o destino lhe favorece, não consegue livrar-se totalmente do incômodo sentimento de que a sua felicidade pode dissipar-se e que não se pode escapar da morte.

A revelação Divina no Antigo Testamento apontava o pecado como a causa desta tragédia. Deus criou o homem para a imortalidade e se este não pecasse não existiriam nem sofrimentos, nem doenças, nem a morte. Assim chegou-se, à causa, estabelecendo o diagnóstico, - fato que por si só não trouxe alívio ao ser humano.

A Ressurreição de Cristo é a libertação desta tragédia, a salvação. Não se trata apenas da correção dos efeitos da perturbação ocorrida, mas de algo muito maior, - o que é difícil de imaginar em sua plenitude e expressar com palavras. A Ressurreição de Cristo é o início da renovação de todo Universo. Virá o dia em que todos vão ser ressuscitados pela onipotente palavra de Deus. Será um acontecimento magnífico quando os nossos pais, mães, avós, parentes, conhecidos, gente vinda de vários povos e raças das quais nunca sequer ouvimos falar - começando pelo primeiro homem na terra. Até aqueles, cujos corpos foram destruídos sem deixar vestígios - erguer-se-ão integrando um multidão que a própria visão não conseguirá abranger. Todos vão erguer-se nos corpos imperecíveis aptos à imortalidade de acordo com os desígnios do Criador para o ser humano. Neste dia toda a natureza passará pela transformação, por sua vez, tornando-se imperecível. Serão um novo céu e uma nova terra em que habitará a Verdade. Aí, não terá lugar a dor nem o sofrimento, mas, tão somente, a eterna alegria.

Provar para um descrente que tudo acontecerá desta maneira - é impossível. A percepção disto torna-se possível somente através da fé. Esta fé não é cega pois baseia-se no testemunho da nossa vivência íntima. Um homem que tem fé, sente nitidamente dentro de si a vivificante força do Cristo Ressuscitado. A convivência com Ele é absolutamente real e imediata. O Senhor está mais próximo a nós do que a roupa que vestimos ou o ar que respiramos. E, se bem que provar isto a um descrente não é possível, - para um cristão aqui não existe nem sombra de dúvida. Isto é a vantagem da Fé.

O que, então, obscurece a claridade da nossa fé, o que torna o coração opresso pela tristeza? A vaidade, o egoísmo, diversos pecados grandes e pequenos... A finalidade da festa da Páscoa, antes de tudo, é de dar-nos novas forças, ajudar-nos a livrar-se do jugo das preocupações materiais - nem que seja por algum tempo, antecipar o prazer da vida futura, antes de conhecer o Paraíso - senti-Lo.

Esforcemo-nos, pois, meus caros, para reter em nós em maior profundidade e tempo mais longo possível, a Luz da Ressurreição de Cristo e sentir a alegria da convivência com Ele. Que estes novos sentimentos nos ajudem a reconstruir a nossa vida para que aprendamos a viver para o Bem a exemplo dos discípulos de Cristo. Quanto mais sinceridade tiver a assimilação dos Seus ensinamentos, - tanto mais livres e alegres nos sentiremos.

Cristo ressuscitou e nós vamos ressuscitar pela Sua força!

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Missionary Leaflet # P04

Copyright (c) 2000 and Published by

Holy Protection Russian Orthodox Church

2049 Argyle Ave. Los Angeles, California 90068

Editor: Bishop Alexander (Mileant)

 

(pasha_p.doc, 03-30-2000)

 

Homilia de

São João Crisostomo

Quem tiver piedade e amor a Deus, regozige-se nesta gloriosa e brilhante festa. Quem for servo bom, entre e alegre-se no gozo de seu Senhor. Quem suportou a fadiga do jejum, receba agora a recompensa; quem trabalhou desde a primeira hora, receba hoje o seu justo salário. Quem veio após a terceira hora, festeje com gratidão. Quem chegou após a sexta hora, entre sem hesitar, porque não será renegado. Quem atrasou-se até a nona hora, venha sem receio e medo. Quem chegou somente na décima primeira hora, não tenha medo por causa de sua demora, porque o Senhor é generoso. Acolhe o ultimo como o primeiro; remunera o operário da décima primeira hora como o da primeira; cobre um com sua misecórdia e outro com sua graça. é generoso com um e ao outro concede; aceita as obras e abençoa a intenção, recompensa o trabalho e louva a boa vontade.

Entrai pois todos no gozo de nosso Senhor. Primeiros e ultimos, recebei a recompensa; ricos e pobres, alegrai-vos juntos; justos e pecadores, honrai este dia; os que jejuaram e os que não jejuaram, regozijai-vos uns com os outros; a mesa é farta; saciai-vos á vontade; o vitelo é gordo, que ninguém se retire com fome; participem todos do banquete da fé, que todos recebam a riqueza da graça; que ninguém se constranja da pobreza, porque o reino universal foi proclamado; que ninguém chore por causa de seus pecados, porque o perdão jorrou do tumulo. Que ninguém tema a morte, porque a morte do Salvador nos libertou a todos. O salvador destruiu a morte, quando a ela se submeteu; despojou o inferno quando nele desceu. o inferno tocou seu corpo e foi aniquilado. Foi isto que profetizou Izaias, exclamando: o inferno ficou aflito ao encontrar-te; aflito, pois foi arruinado; aflito e menosprezado; foi executado e menosprezado; aflito pois foi subjugado. Agarrou um corpo e encontrou um Deus; apossou-se da terra e achou-se diante do céu. Pegou o que viu, e caiu naquilo que não viu. Onde está o teu aguilhão, ó morte! Onde está a tua vitória, ó inferno? Cristo ressuscitou e foste arrazado; Cristo ressuscitou, e os demonios foram vencidos; Cristo ressuscitou e os anjos rejubilam-se; Cristo ressuscitou e a vida foi restituida; Cristo ressuscitou e não ficou mais nenhum morto no tumulo, porque Cristo pela sua ressureição dos mortos tornou-se primaz dentre os mortos. A êle a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amem.

Cristo ressuscitou!

 

publicado por igrejacatolicaortodoxa às 15:33
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A RESSURREIÇÃO DE CRISTO 2

Semana Santa

e Páscoa em Jerusalém

(pelo monge Parthenius).

Para os cristãos a festa maior estava próxima. O tempo de alegria e tristeza aproximava-se. Nós nos alegrávamos por isto, pois receberíamos a mais radiante festa da Santa Páscoa na Cidade Santa de Jerusalém. Contudo nos entristecíamos de coração, pois a hora de todos partirmos se aproximava. Vivemos juntos por 6 meses e nos conhecemos uns aos outros. Porém mais de tudo nós temíamos por aqueles amargos momentos quando iríamos deixar a Cidade Santa de Jerusalém, o Santo Sepulcro de Cristo e outros lugares Santos. Viemos para nossos aposentos, jantamos, repousamos e então fomos passar a noite na Igreja da Ressurreição. As matinais da Terça-feira foram solenes; a Liturgia matinal foi realizada na Sepultura de Cristo; um bispo atuou como proto-celebrante e havia muitos comungantes na Liturgia.

A última Liturgia foi no Patriarcado; o próprio Patriarca ministrou. A lavagem dos pés foi feita diante das Portas Sagradas da Igreja da Ressurreição. Lá havia uma plataforma com 3 degraus; ao redor havia grades (cercas) e nas grades, apoiavam-se colunas. Havia enormes velas nas colunas. A plataforma era acarpetada. No centro estava uma mesa dourada, e ao longo dela 12 cadeiras. Na parede, na direção do leste foram pendurados ícones e em frente a eles velas queimavam; nesta parede foi erguido um trono para a leitura do Evangelho. Centenas de soldados vieram e se postaram em volta do trono. No Mosteiro de São Abraão, nos templos de Getsemani, no Mosteiro Patriarcal e na Igreja do Santo Sepulcro havia enormes multidões de pessoas. Estávamos na Igreja do Santo Sepulcro. Vimos o Patriarca saindo do Mosteiro Patriarcal em toda sua vestimenta, acompanhado pelos bispos e 12 padres. Em frente a eles havia 12 meninos vestidos de coroinhas, com castiçais e velas; então vinham os cantores; em seguida os diáconos com os incensos. Então vinham os padres e mais 7 diáconos. Atrás deles vinham o Patriarca, que abençoava o povo com as duas mãos; em seguida vinham os bispos em "rizas"(vestimentas). Tendo subido à plataforma, o Patriarca sentou-se em seu lugar e ordenou aos outros padres que se sentassem seguindo a ordem. Os bispos ficaram de pé e observavam. A lavagem dos pés começou conforme a tradição, e o Patriarca leu o Evangelho.

Antes do anoitecer, a benção do óleo foi feita em todos os mosteiros, e em todos lugares os bispos ungiram todos os romeiros com óleo bento. Naquela noite a Igreja do Santo Sepulcro não foi aberta e foi proibida a passagem da noite ali. Mas uma generosa mulher russa solicitou ao Patriarca e o cônsul para acompanhar a vigília em Golgotá, metade em russo. O Patriarca respeitou seu pedido e quando já era tarde da noite, eles abriram os sagrados portões e permitiram apenas que os russos entrassem na Igreja. Em Golgotá, cantaram todo "cânone" à Cruz em grego. Então, os gregos foram dormir, e nós russos fomos à caverna, onde a Imperatriz Helena encontrou a Cruz. Então lemos os 12 Evangelhos da Paixão e outras coisas próprias para esse dia e cantamos o Akafist à venerável Cruz.

Quando começaram a tocar os sinos para as Matinais, todos nós fomos para Golgotá, e as Matinais foram ministradas de acordo com o costume. Eles leram os Evangelhos - seis em grego e seis em russo. As antífonas e cânones foram cantados pelo côro: o côro do lado direito cantou em grego e do lado esquerdo em russo; e o ofício divino durou seis horas. As "Horas Reais" foram lidas e cantadas em russo (em Golgotá). Pela manhã as portas da Igreja não foram abertas e dentro havia silêncio. Na 12a hora do dia dois diáconos foram enviados a cada lugar sagrado para incensar. Primeiramente dois diáconos ortodoxos incensaram. Depois dois diáconos armênios, usando mitras, incensaram. Então, dois diáconos cóptos foram também, usando mitras. Os latinos não incensara - seus diáconos usavam vestimentas diferentes de todas outras religiões. Depois todos tiveram procissões. A uma hora da tarde, eles abriram os grandes portões sagrados da Igreja . O povo se arremessou para dentro da Igreja, e havia muito barulho lá dentro. Todos investiam para conseguir um lugar. Nós já estávamos ocupando nosso lugares. Em um minuto toda a Igreja estava repleta de gente.

Meia hora depois, de repente, perto do Túmulo de Cristo houve um barulho e os árabes começaram a gritar (clamar) em seu idioma estranho; cerca de 50 homens de mãos dadas, parados ombro a ombro, levantavam suas mãos por 3 vezes para o céu e todos começaram a gritar. Eles começaram a correr em volta do Sepulcro de Cristo e depois, em volta da Igreja inteira; eles correram e gritaram até o anoitecer. Então milhares de militares da Turquia vieram e ficaram de guarda perto dos portões sagrados e colocaram homens-vigias ao redor de toda Igreja. O Patriarca então veio com muita glória, e foi recebido majestosamente. As Vesperais foram solenes; porém eles não trouxeram os epitáfions de Golgotá na possibilidade de desordens. Após as vesperais, os árabes retomaram seus "trabalhos'' e novamente começaram a correr e gritar. Perguntei a aqueles que entendiam russo: o que eles estão dizendo?" Me disseram que eles estavam louvando a crença ortodoxa, mas estavam insultando as outras religiões como sendo falsas e destruidoras de almas. Eles vieram aos armênios e os insultaram, dizendo que eles por sí mesmo quiseram receber a graça divina, mas em lugar disto, cometeram profanação.

Deixem-me contar a esse respeito: nos grandes portões existem, à esquerda uma coluna de mármore com uma fenda de onde flui a graça divina, que é o Fogo Sagrado. Esta coluna é reverenciada pelos ortodoxos tanto quanto os não ortodoxos, e até mesmo os armênios. Eu gostaria, de escrever um pouco a respeito deste incidente, como os ortodoxos orientais são unânimes em falar disto e os turcos confirmam a si mesmos. Na parede há uma inserção laminada no mármore, e eles dizem que este enorme incidente está escrito ali; porém nós não conseguimos ler, pois, está escrito com letras sírias no idioma árabe, e eu apenas ouví esse respeito, mas não lí. Mas o incidente sucedeu mais ou menos assim: nos tempos em que os gregos estavam completamente oprimidos pelo domínio turco, alguns armênios ricos tomaram isso em suas mãos para forçar a manter os gregos fora da Sagrada Sepultura e fora da Igreja da Ressurreição. Eles juntaram uma enorme soma em dinheiro e subornaram todas autoridades de Jerusalém, assegurando aos incrédulos, de que o Fogo Sagrado apareceu não simplesmente em consideração aos gregos, mas a todos cristãos, e se nós armênios estamos alí, nós também o receberemos! "E os turcos que são vorazes por dinheiro, aceitaram o suborno e então fizeram conforme os armênios queriam. Ou seja, afirmaram que apenas aos armênios era permitido receber o Fogo Sagrado. Eles se regozijaram enormemente e escreveram à todos seus povos e a seus fiéis que muitos deles deveriam ir à peregrinação. E uma enorme multidão deles veio. O Santo Sábado se aproximou. Os armênios todos se reuniram na Igreja, e o exército turco expulsou os pobres gregos para fora. Oh, que mágoa e tristeza indescritível sentiram os gregos! Havia apenas um consôlo para eles - o Túmulo do Salvador, e eles foram mantidos fora dele, e os Portões Sagrados foram fechados para eles! Os armênios estavam dentro da Igreja e os ortodoxos estavam nas ruas. Os armênios estavam se alegrando e os gregos choravam. Os armênios celebravam e os gregos se lamentavam! Os ortodoxos estavam defronte aos Portões Sagrados, no séquito e em volta deles estava o exército turco observando para que não houvesse luta. O Patriarca com todos restantes estavam lá com velas, desejando que pelo menos pudessem receber o Fogo dos armênios através das janelas. Mas Deus quis dispor as coisas de uma maneira diferente, e manifestou Sua verdadeira Doutrina com o dedo impetuoso e confrontou Seus verdadeiros servos, os humildes gregos. A hora chegou, quando o Fogo Sagrado deveria brotar, mas nada aconteceu. Os armênios estavam assustados e começaram a chorar e pediam a Deus que lhes mandasse o Fogo; mas Deus não os ouviu, Já havia se passado meia hora ou mais, e ainda nada do Fogo Sagrado. O dia estava claro e lindo; o Patriarca se sentou do lado direito. De repente houve estrondo de trovão e do lado esquerdo o meio da coluna de mármore rachou-se e pela fenda fluiu uma chama de fogo. O Patriarca levantou-se e acendeu suas velas e todos cristãos ortodoxos acenderam suas velas com a do Patriarca. Então todos se rejubilaram, e os árabes ortodoxos do Jordão começaram a saltar e gritar "Tua habilidade, nosso único Deus, Jesus Cristo; é única nossa Verdadeira Fé, a dos cristãos ortodoxos!" E eles começaram a correr por quase toda Jerusalém e faziam muito barulho e aclamações por toda cidade. E desde esse dia eles ainda fazem isso em memória do incidente, e eles pulam e gritam correndo em volta do Santo Sepulcro, e rezam ao único Deus verdadeiro, Jesus Cristo, e abençoam a Fé Ortodoxa.

Observando essa maravilha, o exército turco, o qual estava ao redor em guarda, ficou assombrado e amedrontado. Dentre eles, um, chamado Omir, o qual estava em guarda no Mosteiro de São Abraão, imediatamente passou a crer em Cristo e gritava: "Uma verdade só, Deus, Jesus Cristo; só uma fé é verdadeira, a dos cristãos ortodoxos!" E então ele saltou para os cristãos de uma altura de mais de 35 pés; seus pés aterraram no mármore sólido como se fosse em um barro macio. E desde esse dia pode-se ver suas pegadas impressas como se afundadas na lama, embora os não ortodoxos tenham tentado apagá-las. Eu as ví com meus próprios olhos e as toquei com as mãos. E a coluna com a fenda ainda apresenta as marcas chamuscadas. Quanto a Omir o soldado, tendo pulado, ele pegou sua arma e a introduziu na pedra como se fosse na lama macia, e começou a glorificar Cristo incessantemente. Por causa disso, os turcos o degolaram e queimaram seu corpo; os gregos recolheram seus ossos, os colocaram numa caixa e os levaram ao Convento da Grande de Panagia, onde eles (os ossos) exalam uma fragrância até hoje. Os armênios não receberam nada na Sagrada Sepultura e foram deixados apenas com sua vergonha. Autoridades de Jerusalém e da Turquia estavam muito desgostosos com eles e queriam matá-los a todos, porém eles temiam o Sultão. Elas apenas os puniram pesadamente: disseram que fizeram um por um comer esterco, conforme saiam da Igreja.

Mas agora, voltemos aos ofícios divinos na Igreja da Ressurreição. Tendo insultado os armênios, os árabes injuriaram os latinos, dizendo que eles não acreditam na Graça e que não receberão o Fogo Sagrado do Túmulo do Senhor, mas eles providenciaram seu próprio fogo; E nós vimos o anticristianismo deles através daquilo que aconteceu na semana anterior. No 6o Domingo do Jejum nós nos preparamos para a comunhão. Na véspera do Sábado de Lázaro fomos passar a noite na Igreja na Sagrada Sepultura afim de receber os Sagrados Mistérios. Quisemos ler a regra da preparação para a Sagrada Comunhão. Porém os latinos iniciaram uma procissão: para eles era o Sábado Sagrado, e eles estavam indo para Golgotá com sua cruz. Queríamos esperar até que eles passassem, mas nosso povo ortodoxo, russos e gregos, também estavam em Golgotá para verem a procissão e os rituais. Havia muitos de nós: havia não mais do que 50 gregos, contando com o côro. Havia porém mais de 500 latinos, e junto com eles havia uns 50 soldados. Quando chegaram a Golgotá, os latinos primeiramente cantaram e leram em seu próprio lugar; então partiram para o nosso lugar, onde a Cruz de Cristo esteve. Nossos monges baixaram todas as lâmpadas e carregaram para fora os castiçais e isto clareou a área. Sobre a Mesa Sagrada sobrou apenas uma capa (cobertura). Os latinos colocaram sua cruz atrás de nossa Mesa Sagrada e disseram que deveríamos retirar a capa. Os gregos recusaram dizendo: "Não podemos fazer isto, pois a capa jamais é retirada e isto não é permitido; mas vocês podem estender seu próprio pano"; quando então os latinos tentaram tirar a capa à força, os gregos não permitiram. Foi então que veio o Arcebispo latino e escandalosamente arrebatou a capa de sobre a Mesa Sagrada. Lá havia 2 cônsules: um russo e outro grego. Imediatamente os gregos fizeram um tumulto e se precipitaram pelo corredor trazendo muitos pedaços de lenha da cozinha, e iniciou-se uma luta em Golgotá. Os gregos batiam com os pedaços de pau, e os latinos golpeavam de volta com velas, mas depois também trouxeram pedaços de madeira. Os turcos investiram para interromper a luta, porém suas armas foram jogadas fora. Então eles correram para salvar o Santo Sepulcro e a Igreja da Ressurreição, pois nesse meio tempo, visto que era Domingo de Ramos, tudo estava ornamentado com ouro e prata. Nós não sabíamos para onde correr e gelamos de medo. O cônsul russo estava salvando seu próprio povo e os conduzia para um lugar seguro. Cerca de 20 de nós, fomos à Igreja da Ressurreição e de tanto medo, não sabíamos para onde ir, ou no Altar ou até debaixo da Mesa Sagrada.

Barulho, clamor e gritos elevavam-se aos céus, principalmente em Golgotá. Todos cristãos soavam alarmes e também todos ortodoxos, armênios, latinos e coptos. Os soldados rodeavam o Santo Sepulcro, de mãos dadas, com suas armas prevenindo qualquer furto e também estavam nos portões da Igreja da Ressurreição. A batalha se espalhou por todos lados da Igreja. Eles retiraram o Patriarca latino de Golgotá; foi porque ele entregou-se ao povo ou então ele teria sido morto. O Metropolitano Meletius aconselhava-os a pararem com a luta ao que eles retrucaram: "Fique em seu lugar, Bispo e nós vamos morrer aqui por nossa fé, pois há muitos hereges entre nós. Impossibilitado de fazer qualquer coisa o bispo sentou-se com os turcos. A luta continuou por mais de uma hora, até que o exército turco e o próprio Paxá chegassem. Então eles os separaram um a um e os trancaram nas casas de hóspedes. Nós, os poucos russos, fomos para a Igreja da Mãe de Deus. Os soldados quiseram nos prender e trancar também, mas nós dissemos que éramos moscovitas e então eles nos deixaram sozinhos. Então, por uma hora eles tiveram um concílio: o Arcebispo, o Paxá e o cônsul discutiam o assunto. Nesse meio tempo eu consegui ler as regras para preparação para a Sagrada Comunhão. Após esse concílio cada membro foi para casa. Os latinos novamente iniciaram sua procissão, a qual terminou no Túmulo de Cristo. Então os soldados os dirigiram para fora e eles foram embora. Os portões da Igreja foram trancados e todos se retiraram. E de novo eles iniciaram a batida da "Semantra" para as Matinais.

Nós tivemos as Matinais na Igreja da Ressurreição e a Liturgia no Túmulo de Cristo, e me supunha digno de ser participante dos Mistérios Sagrados do Corpo e Sangue de Cristo. Porém o Monte Golgotá estava coberto de sangue; durante todas Matinais dois homens lavaram tudo com água. Três pessoas foram mortas. Eu nunca tinha visto tamanho terror desde o dia em que nasci.

Vamos voltar novamente aos ofícios da Semana Santa. Os não-ortodoxos deram dinheiro aos soldados para que eles batessem nos árabes os quais estavam ofendendo a fé de todos, levando-os embora. Por essa razão os árabes estavam todos ensangüentados e suados. Eles tiraram suas longas camisas dos ombros deles para andarem seminus. Se alguém batesse neles, eles não teriam pena e continuariam sua tarefa. Quando eles correram em volta do Túmulo de Cristo e a Igreja da Ressurreição eles repetiam dizendo só uma coisa, e nós achamos que eles diziam: Único é Deus, Jesus Cristo! A única fé é a Ortodoxa Cristã!" Então ortodoxos de todas regiões, armênios, coptos e sírios, conduziram os "epitáfios." Primeiramente eles foram a Golgotá, depois para o local onde esteve a Cruz, e após deram 3 voltas ao redor do Túmulo de Cristo e depois foram embora para suas regiões. Assim passamos a noite até a alvorada, em meio de incessante barulho. Dentro da Igreja parecia um bazar ou um mercado. Os peregrinos estavam todos espalhados por Jerusalém e todos cristãos de diferentes Países estavam recolhidos na Igreja do Sepulcro do nosse Salvador, Jesus Cristo. A Igreja estava lotada por todos os lados. Todos perguntavam, todos informavam em suas diferentes maneiras. Multidões por todos os lados e lutas em toda parte por causa do amontoado de gente. Ninguém conseguia entender o idioma de cada um, e os turcos incessantemente dispersavam o povo. Você poderia dizer que a Igreja, assim com o Céu, estava recolhendo dentro dela o mundo inteiro. Assim passamos a noite até o amanhecer.

Então eles começaram a "tocar a madeira" para as Matinais e os árabes pararam com o barulho. O Patriarca iniciou as Matinais e foram distribuídas velas a todos ortodoxos. Cantaram toda "Katisma" "Bem-aventurados os inocentes" (na Igreja da Ressurreição). Foram até Golgotá para ler o Evangelho. Tendo lido o Evangelho, ergueram o "Epitáfio" e o levaram de Golgotá com bandeiras e lanternas. Havia um grande número do clero, além dos diáconos, padres, monges, arcebispos, havia seis bispos e o Patriarca, além de muitos cantores. Quando trouxeram o "Epitáfio" de Golgotá deram 3 voltas onde a Cruz foi erguida. Então eles o colocaram no lugar onde Jesus Cristo foi envolto em linho e ungido com mirra para o sepultamento. Alí foi feito um Grande Sermão. O "Epitáfio" foi colocado no Túmulo. O clero estava ao redor da Sepultura. Apenas eles cantavam o "Cânone" (Kimati thalasses") e os versos. Todos seguravam velas. Foram cantados os "Louvores" e a "Grande Doxologia," e foi lido o Evangelho. E alí eles terminaram as Matinais e as Horas. Em seguida pegaram o "Epitáfio" e o levaram ao seu devido lugar e os turcos trancaram o Sepulcro.

Após os ofícios, os árabes recomeçaram sua tarefa de novo, mas agora eles haviam se multiplicado, pois o povo de Jerusalém, comerciantes e idosos, tiraram seus turbantes, se deram as mãos e começaram a gritar e saltar. Quando amanheceu, eles começaram a apagar as luzes e lâmpadas e não ficou nenhuma lâmpada acesa. Os turcos abriram o Sepulcro de Cristo e apagaram todas as lâmpadas. Então chegaram as autoridades turcas e o Paxá também e havia muitos soldados armados em volta do Santo Sepulcro. Na Igreja estava tudo mudado; todos estavam melancólicos e os árabes estavam roucos e fracos. A Igreja estava extraordinariamente lotada e abafada. Em cima, todos balcões estavam lotados de gente em 4 fileiras. Todas as partes da Igreja estavam apinhadas de gente. Todos tinham 33 velas em ambas as mãos, em memória à idade de Cristo.

O Patriarca dirigiu-se ao "iconostasis" principal juntamente com o cônsul, Meletius o Metropolitano da Trans-Jordânia, sentou-se no altar com o resto dos bispos, todos melancólicos e cabisbaixos. Na Igreja os muçulmanos, com suas armas de guerra, davam ordens; os árabes já tinham parado de correr de lá para cá, mas mantinham sua mãos erguidas para os céus e proferiam gritos de arrependimento. Os cristãos estavam chorando e suspirando continuamente. E quem conseguia segurar suas próprias lágrimas, vendo tamanha multidão de todos países do mundo, chorando e gemendo e pedindo misericórdia de Deus Pai? Foi jubiloso ver aquilo, ainda que com má vontade, que o resto dos cristãos mostravam algum respeito à Fé Grego-Ortodoxa e aos ortodoxos propriamente ditos, e que eles estavam olhando para os ortodoxos como se fossem o sol mais brilhante, pois todos estavam desejando receber a graça do Fogo Sagrado do Ortodoxos. O patriarca armênio foi ao altar com 2 bispos e o metropolitano copto e todos saudaram quando iriam receber a graça do Fogo Sagrado, o qual nós lhes prometemos. Metropolitano Meletius respondeu com humildade e disse-lhes para rezarem a Deus. Eles foram para seus lugares. Então os portões reais foram fechados e substituídos por outros com passagem especial.

É impossível descrever aquilo que então estava acontecendo na Igreja. Era como se todos estivessem aguardando a Segunda Vinda do Rei do Céu. Medo e temor caíram sobre todos, e os turcos perderam as esperanças. E no interior da Igreja não se ouvia nada exceto suspiros e gemidos. E a face do Metropolitano Meletius estava banhada de lágrimas. Então o Paxá turco chegou com outras autoridades, entraram no Santo Sepulcro para se assegurarem de que nada permaneceu aceso alí. Quando saíam fecharam o Sepulcro, mas previamente colocaram uma grande lamparina dentro, cheia de óleo até a borda. Dentro flutuava um enorme pavio. Colocaram a lamparina no centro do Túmulo de Cristo. Agora não havia cristãos perto do Santuário, a não ser as autoridades turcas. E sobre os balconetes eles prenderam muitos arames com feixes de velas presas.

Às 8 horas de acordo com o horário russo (2 da tarde), iniciava-se a preparação para a procissão com a Cruz. Os bispos, padres e diáconos, todos vestidos de acordo com suas vestes sagradas, cada um pegou 33 velas apagadas. Do Altar, através das portas reais, havia 12 bandeiras, e qualquer um podia pegá-las. Os soldados clareavam a passagem e os cantores estavam atrás das bandeiras. De dentro do altar, pelas portas reais vieram os diáconos, padres, monges e arcebispos, de dois em dois, então os bispos e atrás de todos, o Metropolitano Meletius. Eles foram até a Sepultura do Senhor, e dando 3 voltas ao Seu redor cantavam: "Anjos nos Céus, Oh Cristo nosso Salvador, louvamos Tua Ressurreição com hinos; julgue-nos que estamos na terra também, para Te glorificar com o coração puro."

"Quando terminou a procissão, todo o clero foi rapidamente para o altar, com as bandeiras. O Metropolitano Meletius ficou sozinho na entrada do Sepulcro, nas mãos dos turcos. Eles o despiram e as autoridades o examinavam. Então eles colocaram o "omofórion" nele, abriram o Sepulcro de Cristo e o fizeram entrar. Oh, que medo e terror tomou conta de todos que alí se encontravam! Todos estavam em silêncio, se lamentando e a Deus Pai que Ele não os privasse da graça do Seu Fogo Celestial. Passado algum tempo, não sei quanto, estávamos fora de nós um tanto quanto assustados. Mas, de repente, de perto da Sepultura de Cristo brilhou uma luz. Logo também surgiu uma luz do altar na abertura das portas reais. E a luz fluía como dois rios de fogo, um do lado oeste do Túmulo de Cristo e outro do lado leste do altar. E então, Oh! Que alegria e exultação havia na Igreja. Todos ficaram como se estivessem embriagados ou fora de sí, e não sabíamos quem dizia o que, ou quem corria para onde! E um barulho enorme surgiu por toda a Igreja. Todos corriam ao redor, todos gritavam de alegria e gratidão - a maioria mulheres árabes. Os turcos e muçulmanos caíram de joelhos e gritava: "Allah, Allah," que significa: "Oh Deus, Oh Deus!," oh, que cena estranha e maravilhosa! A Igreja inteira transformou-se em fogo. Nada podia ser visto além do Fogo Celestial. Acima e abaixo e ao redor dos balconetes o Fogo Sagrado fluía para fora. Em seguida havia fumaça por toda Igreja, e uma boa parte das pessoas saiu de lá, com o Fogo e o levaram ao redor de Jerusalém para suas casas e todos os mosteiros.

No Grande Templo começavam as Vesperais, e em seguida a Liturgia de São Basílio o Grande. O Metropolitano oficiou juntamente com os padres e ele ordenou um diácono. Durante a Liturgia as pessoas seguravam velas. Quando o Metropolitano da Trans-Jordânia foi ao Sepulcro, achou uma enorme lamparina sobre o Túmulo de Cristo, a qual acendeu-se sozinha; às vezes ela se acendia por sí mesma inexplicavelmente quando ele se encontrava alí. Contudo, ele mesmo nunca a viu se acender. Em Jerusalém, eu ouví de muitas pessoas com as quais o próprio Metropolitano falou claramente a esse respeito: "Às vezes eu vou até lá e já está aceso; então eu o pego rapidamente. Mas, as vezes eu entro e a lamparina não está queimando, e então me jogo no chão, de temor e começo a chorar e suplicar misericórdia de Deus. Quando me ergo, a lamparina já está queimando; eu acendo 2 feixes de velas e as levo para distribuir."

O Metropolitano leva o Fogo para o vestíbulo e coloca os feixes de velas em apoios de metal e as distribui para fora do Sepulcro, através de aberturas feitas para esse fim; com a mão direita ele dá para os ortodoxos e com a esquerda para os armênios e outros. Os árabes ortodoxos ficam em fila perto da abertura. Tão logo o Metropolitano mostra o Fogo Sagrado, um árabe de posse Dela corre direto para o altar e alí, através das portas reais é distribuído ao povo; mas um só dificilmente é capaz de acender suas velas pelas aberturas. Então o Metropolitano novamente retorna à Sepultura de Cristo e acende outros 2 feixes de velas e se retira. Os robustos árabes ficam parados na porta do Sepulcro e o aguardam. Tão logo ele sai carregando as 33 velas, os árabes o pegam em suas mãos e levam diretamente ao altar. Todo povo se precipita em direção a ele; todos querem tocar suas vestes. E então, com grande dificuldade eles o carregam para o altar. Eles o colocam sentado em uma cadeira e ele permanece sentado durante toda Liturgia de cabeça inclinada; ele não olha para cima e não diz uma palavra e ninguém o perturba. Tão logo eles o levam para fora do Sepulcro, o povo precipita-se mais para venerá-lo. E eu me julgava digno para fazer o mesmo. Todo Sepulcro de Cristo estava molhado pela chuva, mas eu não encontrava de onde vinha essa umidade. No centro do Túmulo estava uma grande lamparina que se acendeu sozinha e havia uma grande chama.

Após a Liturgia cada uma foi para seu lugar, e todos se congratulavam entre sí na recepção da graça do Fogo Sagrado.

Ao anoitecer todos nós fomos passar a noite na Igreja na Sepultura de Cristo e ao chegarmos lá tivemos uma belíssima e gloriosa visão: toda a Igreja, principalmente a Sepultura, estavam maravilhosamente decoradas com diversos ícones de prata e de ouro e com imagens, e acima múltiplas lamparinas douradas e prateadas, ardendo com brilho imenso. Havia muitas velas brancas, porém ainda não estavam acesas. A Igreja inteira estava repleta de lâmpadas; onde havia apenas uma, agora havia 10; eu quis contar quantas tinham mas não pude. Por todos os lados havia paz e tranqüilidade. As portas da Igreja permaneceram destrancadas por toda a noite. E aquela noite foi a mais feliz de todas; não importa aonde você for, você pode encontrar a felicidade em toda parte. E esta alegria não era apenas na Igreja do Santo Sepulcro, mas sim por toda Jerusalém. Durante toda a noite as pessoas andavam pelas ruas em grupos; por todos os lados eles acendiam fogos, e todos mosteiros estavam abertos. Os próprios turcos ficaram felizes e mansos, e foram em grupos para ver a Igreja do Santo Sepulcro.

Apenas os judeus se trancaram em suas casas, e não tomaram a atitude de ir contemplar a luz da verdade; eles ficaram mofando em sua maldade. Os latinos, de qualquer maneira, ainda que sendo inimigos da Igreja Oriental, celebraram conosco. Mesmo estando os soldados na Igreja em volta da Sepultura de Cristo, eles não impediram ninguém de se aproximar do Sepulcro. Assim passamos o anoitecer até às 22:00 horas. Então, meia hora antes da meia-noite eles começaram a nos chamar para as Matinais diferentes com vários ritmos, todos de maneira muito solene. O Patriarca veio com toda sua assembléia e lá havia o maior cerimonial para recebê-lo.

Então eles iniciaram as Matinais. Cantaram o Cânone "As ondas do mar", completo, verso por verso, as antífonas com os eirmos e os 14 tropárions. Cantaram por duas horas. Nesse meio tempo foram acesas as velas e o óleo das lamparinas em volta de toda Igreja; nas cúpulas mais de mil lâmpadas estavam acesas. Nós os monásticos estávamos todos no altar. Então o Patriarca e os Metropolitanos, arcebispos, bispos, arcemandrites, abades, padres e diáconos e todos clero da Igreja, tendo vestido as vestes sagradas, pegaram 12 bandeiras, as quais estavam ricamente adornadas; elas foram presenteadas por gregos anciãos e reis georgianos. Eram bordadas em ouro com pérolas, e eram trazidas somente na Páscoa. Atrás do Patriarca eles carregavam uma bandeira a qual necessitava de 3 homens para levá-la; ela era bordada apenas com ouro e representava a imagem da Ressurreição de Cristo e de manufatura russa, oferecida pelos comerciantes moscovitas. Então, eles deram a todos velas brancas e acenderam também velas e lamparinas de óleo.

O Sepulcro parecia uma lâmpada de fogo. Das enormes velas nas mãos de cada pessoa, toda Igreja tornou-se como se estivesse em chamas e as cúpulas da Igreja brilhavam como o sol. Aqueles que acompanhavam a procissão da Cruz levavam o Evangelho, ícones, cruzes e velas e saiam do Altar da Igreja da Ressurreição, pelos portões reais, diretamente para o Sepulcro de Cristo cantando: "Anjos nos Céus, Oh! Cristo nosso Salvador louvemos Tua Ressurreição com hinos; considere a nós que estamos na terra, dignos de Te glorificar com o coração puro." Quando eles foram em procissão rodeando o Sepulcro por 3 vezes, toda multidão de clérigos parou diante das portas do Sepulcro. Então o Patriarca leu o Evangelho de Mateus, da Ressurreição de Cristo, o qual é lido na noite do Sábado na Liturgia. Em seguida ele incensou o Túmulo de Cristo. Quando saiu, ele incensou ao redor de todo o Santuário e todos os irmãos. Após, juntamente com todos os bispos ele entrou no Sepulcro de Cristo, e alí, após ter incensado, ele exclamou: "Glória à Santíssima, Consubstancial e Indivisível Trindade, agora e sempre, e por todos os séculos." Os bispos exclamaram: "Amém." Então o Patriarca e todos os bispos, no interior do Sepulcro, cantaram: "Cristo ressuscitou dos mortos, e àqueles nos túmulos, Ele deu vida." E eles cantaram isto por 3 vezes. Eles não cantaram em russo, mas apenas em grego, que seria: "Christos anesti ek nekron, thanato, thanato, patisas, kai tis en tis mnemasi zoen charisamenos." E então o côro cantou e todos que estavam em volta do Sepulcro de Cristo cantaram por muitas vezes.

Oh, que alegria havia então, e quem não chorava de alegria contemplando o Túmulo de seu Salvador Jesus Cristo, antes que seus olhos ficassem vazios, pois Ele se ergueu da morte! Quem poderia não agradecer ao seu Criador Que os considerou dignos de celebrarmos a Santa Páscoa, Sua gloriosa Ressurreição dos mortos, na Santa Cidade de Jerusalém, perto do Seu próprio Túmulo e naquele lugar onde o mistério de nossa salvação foi realizado? Que caneta ou lápis poderia descrever nossa felicidade? Ou quem poderia explicar isto em palavras? Qual idioma poderia falar sobre isto? Só pode entender aquele que sentiu essa alegria na pureza de seu coração. Como é possível não se regozijar ou ser feliz? Nós fomos reunidos dos quatro cantos do mundo, cristãos de diferentes idiomas, todos reunidos em uma Igreja. Estávamos todos em volta do Túmulo do nosso Salvador e glorificávamos Sua gloriosa Ressurreição dos mortos. Em verdade, todas as coisas estavam agora cheias de luz; então o cânone de Páscoa surgiu para nós real e claro. Aquilo que nós estávamos cantando, viamos com nossos próprios olhos. E com que sentimento exclamamos a Sion: "Ergam sua vista sobre Ele, Oh Sion e vejam e contemplem do oeste, do norte, e do oceano e do sul como se vissem a luz iluminada por Deus, tenham suas crianças chegando até Ele, louvando a Cristo para sempre (8o Ode, 2o trop.). Verdadeiramente para nós, sagrada e digna de todos os triunfos solenes, e esta noite esfusiante, redentora e radiante, o prenúncio do luminoso e brilhante Dia da Ressurreição em cuja Luz eterna brilhou diante da carne, do túmulo, para todos.

Era a Litania. Quando eles começaram a cantar o cânone, foram para a Igreja; e no Túmulo de Cristo um padre e um diácono iniciaram a Liturgia. Na Igreja cantaram o cânone inteiro. Após as Matinais, sem interrupção, eles iniciaram a Liturgia também. O Patriarca oficiou junto com o clero na mais majestosa e solene maneira. Leram a Epístola em 3 línguas: grego, eslavo e árabe. O Evangelho foi lido em muitas línguas variadas: em eslavo foram lidos três e o resto foi lido em grego-helenico, grego, latim, turco, georgiano, sírio, árabe, egípcio e abissinio, e eles leram até que o sino bateu. Todos durante a Liturgia seguravam velas. E nós durante as Matinais e a Liturgia ficamos no altar..

Quando terminou a Liturgia já estava começando a amanhecer. Os ortodoxos foram ao Patriarcado e alí no portão eles deram a cada pessoa, dois ovos vermelhos, e então todos foram às suas casas.

A propósito, foi levado ao conhecimento de todos os peregrinos ortodoxos que na primeira hora da tarde eles iriam à Igreja Patriarcal para as Vesperais. E assim, fomos para lá. A Igreja estava ornamentada e decorada com muitas lâmpadas e velas. Foram distribuídas, a cada um grandes velas brancas e ficamos com elas durante toda Vesperal. Estava muito solene. Para a entrada chegaram mais de cem padres e uma multidão de diáconos. Na frente havia 7 diáconos com velas. Atrás deles, carregavam 12 faroletes. Leram o Evangelho igual que foi lido na Liturgia, em muitos idiomas, com o toque dos sinos. Após as Vesperais havia comida para os peregrinos. E então foi aberta a Igreja do Santo Sepulcro e os peregrinos foram venerar o Túmulo - uma visão melancólica: todos choravam, suspiravam, abraçavam o Túmulo do Salvador Jesus Cristo, molhavam-no com lágrimas quentes, pois a hora da partida chegou. Em toda Igreja havia choro e suspiros, principalmente as mulheres emitiam fortes ruídos e lamentos. E em todos lugares sagrados as pessoas não queriam sair. Assim foi triste e doloroso partir de Jerusalém e se afastar do Túmulo de Cristo.

O monge Patemius (Ageev) nasceu em 1807 em Jacy, Moldavia e seu nome de batismo era Pedro. Foi uma criança inclinada a ler, especialmente livros espirituais que os pais tinham em casa. Sua alma era tão influenciada com isto que aos 13 anos ele fugiu para um mosteiro próximo, e só retornou após 3 meses quando seus pais foram buscá-lo.

Quando já era um homem jovem ele deixou Maldavia à procura de um mosteiro de Ritual-Antigo, onde ele poderia se doar para Cristo na vida espiritual. Desiludido pelas divisões entre os vários grupos do Ritual-Antigo, ele visitou o mosteiro ortodoxo-russo de Sarov, onde conheceu o futuro São Serafim. Depois de voltar para Moldavia e tendo passado algum tempo em 2 mosteiros do Ritual-Antigo, ele foi recebido na Igreja Russa Ortodoxa, Atos e ingressou no Mosteiro de São Pantelemon. Após Ter sido preso por engano e Ter passado 14 meses na Sibéria (durante a perseguição aos crentes do Ritual-Antigo; pois nesse meio tempo o abade do mosteiro São Pantelemon estava ausente; Fr. Parthenius foi injustiçado por um padre do Ritual-Antigo em disfarce, e então retornou ao Monte Atos. Ele foi aconselhado por seu monitor, o abençoado Asenius, a voltar para a Russia como missionário dos Antigos-Ritualistas.

Ele passou 7 anos com o Santo Bispo Athanasius em Tomsk, na Sibéria, tendo sido nomeado abade (superior) de Berlucov, e então foi comissionado por todo Santo Sinodo a fundar o Mosteiro de Gulitsy. Ele adormeceu no Senhor em 1878 na Santíssima Trindade - São Sérgio Lavra, onde estava retirado e foi enterrado alí mesmo.

Das numerosas escritas do Padre Parthenius, a mais lida é o seu volume no 5:"Relato das divagações e jornadas através da Russia, Moldavia, Turquia e a Terra Santa, onde estão descritas diversas experiências e acontecimentos com muitas personalidades notáveis. Quatro volumes foram publicados em Moscou em 1855; o 5o foi publicado postumamente pelo Arquimandrito Nicon, após o aparecimento em série da revista: "Leitura de Utilidade para a Alma" entre 1899-1901. Frei Parthenius viajou da morte de seu querido ancestral. O relato a respeito dos ofícios da Semana Santa e Pascoal em Jerusalém e a respeito do milagre do Fogo Sagrado em 1846, foi tomado do 2o volume destas "Andanças."

publicado por igrejacatolicaortodoxa às 15:30
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A RESSURREIÇÃO DE CRISTO

Ressurreição de Cristo - fundamento da nossa fé. É a primeira, a mais importante Verdade maior. Com a proclamação da Ressurreição de Jesus Cristo, os Apóstolos iniciavam seus sermões. Assim como com a morte de Cristo na Cruz foi realizada a purificação dos nossos pecados, também com a Sua Ressurreição nos foi dada a vida eterna. É por isso que para as pessoas de fé a Ressurreição de Cristo é a fonte da alegria constante, incessante júbilo, alcançando seu cume na festa da Santa Páscoa Cristã.

Nesta brochura relataremos como sucedeu a Ressurreição de Jesus Cristo, mostraremos a relação entre a Páscoa Cristã e páscoa dos hebreus do Antigo Testamento; citaremos as profecias do Antigo Testamento a respeito da Ressurreição do Salvador, contaremos o sentido (significado) da ressurreição de Cristo para nossa vida e a vida de toda humanidade. No final mostraremos os principais momentos do Ofício Divino e cânones de Páscoa.

 

Acontecimentos da Ressurreição

Provavelmente não existe uma única pessoa no mundo que não tenha ouvido falar a respeito da morte e Ressurreição do Nosso Senhor Jesus Cristo. Mas, naquele tempo, quando os fatos de sua morte e Ressurreição foram tão amplamente conhecidos, sua essência espiritual e seu sentido interior surgem como mistério da sabedoria de Deus, justiça e Seu amor infinito. Os maiores cérebros humanos, com impotência inclinavam-se perante esse mistério inconcebível da salvação. Não obstante, os frutos espirituais da morte e Ressurreição do Salvador são acessíveis à nossa fé e sensíveis ao coração. E graças à capacidade que nos foi dada de percebermos a luz espiritual da verdade Divina, somos convictos de que o Filho Encarnado de Deus em verdade morreu voluntariamente na Cruz para a purificação dos nossos pecados e ressuscitou para nos dar a vida eterna. Sobre esta convicção está baseada toda nossa concepção religiosa.

Agora, resumindo, vamos nos recordar dos principais acontecimentos ligados à Ressurreição do Salvador. Conforme narram os evangelistas, Nosso Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz na Sexta-feira, perto das 3 horas após o almoço, na véspera da páscoa hebraica. Naquela mesma noite, José de Arimatéia, um homem rico e honrado, juntamente com Nicodemus tiraram o corpo de Cristo da Cruz, ungiram-No com substâncias aromáticas, envolveram com linho (Sudário), conforme as tradições judaicas e sepultaram numa gruta de pedra. Essa gruta foi cortada por José para seu próprio sepultamento, mas por amor a Jesus cedeu-a. A referida gruta encontra-se no jardim de José, perto de Golgotá, onde Cristo foi crucificado. José e Nicodemus eram membros de Sanedrion (a corte suprema judaica) e ao mesmo tempo eram discípulos secretos de Cristo. A entrada da gruta, onde eles sepultaram o corpo de Jesus, foi fechada com uma enorme pedra. O sepultamento foi feito rapidamente e não conforme as leis, pois nessa noite iniciava-se a celebração da páscoa hebraica.

A despeito da celebração no Sábado de manhã, os sacerdotes e escrivães foram até Pilatos e pediram sua autorização para colocar soldados romanos para guardarem o túmulo. Foi colocado um lacre na pedra que fechava a entrada do sepulcro. Tudo isto foi feito como precaução, pois eles se lembraram das predições de Jesus Cristo, que Ele ressuscitaria no terceiro dia de sua morte.

Onde esteve o Senhor e Sua alma após Sua morte? Conforme a crença da Igreja, Ele desceu ao inferno junto com Seu sermão salvador e retirou de lá aqueles que acreditavam Nele (1 Ped. 3:19).

No terceiro dia após Sua morte, no Domingo, de manhã cedo, quando ainda estava escuro e os guardas se encontravam em seu posto na sepultura lacrada, o Senhor Jesus Cristo Ressuscitou dos mortos. O mistério da Ressurreição, assim como o mistério da encarnação, - são inconcebíveis. Com a frágil mente humana, nós entendemos esse acontecimento da seguinte maneira: que no momento da Ressurreição a alma do Filho de Deus voltou ao Seu corpo, e em conseqüência o corpo reviveu e ficou imortal, vivificado e espiritualizado. Depois disto, o Cristo ressuscitado deixou a caverna sem derrubar a pedra e sem violar o lacre. Os guardas não viram o que aconteceu na caverna, e após a Ressurreição de Cristo continuavam vigiando o túmulo vazio. Em seguida aconteceu um terremoto, e então um Anjo de Deus desceu do céu, afastou a pedra da entrada do túmulo e sentou-se sobre ela. Ele tinha a aparência de um raio e sua roupa era alva como a neve. Os guardas, assustados com o Anjo, fugiram.

Nem as esposas dos produtores de mirra, nem os discípulos de Cristo, sabiam de nada do acontecido. Como o sepultamento de Cristo foi feito rapidamente, as esposas dos produtores de mirra combinaram que iriam ao túmulo no dia seguinte ao dos festejos da páscoa hebraica, ou seja, no Domingo, e terminariam a unção do corpo do Salvador com aromas e bálsamos. Elas inclusive não tinham conhecimento dos guardas romanos nem do selo. Quando a aurora começava a surgir, Maria Madalena, "outra" Maria, Salomé e algumas outras mulheres honradas foram até o túmulo levando a mirra perfumada. Pelo caminho, elas refletiam perplexas: "Quem irá retirar a pedra do túmulo?" - pois, conforme explica o Evangelho, a pedra era imensa. A primeira que se aproximou do sepulcro foi Maria Madalena. Vendo a sepultura vazia, ela correu para trás até aos discípulos Pedro e João e contou-lhes a respeito do desaparecimento do corpo do Mestre. Um pouco mais tarde chegaram ao túmulo outras portadoras de mirra. Elas viram um jovem vestido de branco sentado do lado direito do túmulo, o qual lhes disse: "Não se assustem, posto que sei que vocês procuram pelo Cristo crucificado. Ele Ressuscitou. Andem e digam aos discípulos Dele que eles O verão na Galiléia." Emocionadas com a notícia inesperada, elas apressaram-se para ir ter com os discípulos.

Entretanto os Apóstolos Pedro e João, tendo ouvido de Maria sobre o acontecido, vieram correndo à caverna: Porém, tendo encontrado ali apenas a mortalha e o tecido o qual estava na cabeça dé Jesus, voltaram perplexos para casa. Depois disso Maria Madalena voltou ao local do sepultamento de Cristo e começou a chorar. Nesse momento ela viu na sepultura dois Anjos vestidos de branco, os quais estavam sentados - um à cabeceira, outro aos pés, de onde estivere deitado o corpo de Jesus. Os Anjos perguntaram-lhe: "Por que você está chorando?." Após ter respondido aos Anjos, Maria voltou-se e viu Jesus Cristo, mas não o reconheceu. Pensando que se tratava de um jardineiro, ela perguntou: "Meu senhor, se você O retirou (Jesus Cristo) então diga onde O colocou e eu O pegarei." Então, o Senhor disse para ela: "Maria!." Ao ouvir a voz conhecida e tendo se voltado para Ele, ela reconheceu a Cristo e gritou: "Mestre" e jogou-se a Seus pés. Mas o Senhor não permitiu que ela O tocasse, mas ordenou que fosse ter com os discípulos e lhes contasse sobre o milagre da Ressurreição.

Nessa mesma manhã os guardas chegaram até aos sumo-sacerdotes e lhes relataram a respeito da aparição do Anjo e da sepultura vazia. Essa notícia deixou as autoridades judaicas muito agitadas: Cumpriram-se seus pressentimentos inquietantes. Agora para eles antes de mais nada, era necessário preocupar-se para que o povo não acreditasse na Ressurreição de Cristo. Tendo reunido o conselho, eles deram muito dinheiro aos soldados ordenando que propagassem e espalhassem o rumor dizendo que os discípulos de Jesus à noite, na hora em que os guardas dormiam, roubaram Seu corpo. Assim fizeram todos os guardas, e o boato sobre o roubo do corpo do Salvador se manteve por longo tempo entre o povo, e até hoje é chamado o dicha mentira.

No primeiro dia de Sua Ressurreição, o Senhor apareceu algumas vezes aos seus discípulos, os quais se escondiam individualmente ou em pequenos grupos em diversos lugares de Jerusalém. De acordo com as tradições da Igreja, Cristo primeiramente apareceu à Sua Mãe e com isto consolou Sua aflição materna. Depois, o Senhor apareceu às outras esposas dos feitores de mirra, lhes dizendo: "Alegrem-se!" Elas, por sua vez, se apressaram em dividir esta alegria com outros Apóstolos. Nesse mesmo dia o Senhor apareceu ainda para o Apóstolo Pedro e a dois discípulos - Lucas e Cléofas que estavam a caminho de Emaús. À noite Ele apareceu para todos os Apóstolos, os quais estavam reunidos para condenar os boatos sobre Sua Ressurreição. Com medo dos judeus, eles se trancaram em uma das casas de Jerusalém (pela tradição na sala onde aconteceu a Santa Ceia e onde sete semanas após a Páscoa o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos).

Depois de uma semana, o Senhor novamente apareceu aos Apóstolos, incluindo Tomé, o qual estava ausente na primeira aparição do Salvador. Para dispersar as dúvidas de Tomé a respeito de Sua Ressurreição, o Senhor permitiu que ele tocasse Suas chagas, e Tomé, agora convencido, caiu aos Seus pés, exclamando: "Meu Senhor e meu Deus!" Conforme narram os evangelistas, durante o período de quarenta dias após Sua Ressurreição, o Senhor ainda apareceu algumas vezes aos Apóstolos, conversou com eles e dava-lhes as últimas instruções. Um pouco antes da Sua Ascensão o Senhor apareceu para mais de cinqüenta crentes.

No quadragésimo dia após Sua Ressurreição o Senhor Jesus Cristo, na presença dos Apóstolos subiu aos céus e desde então Ele está sentado à "direita" de Seu pai. Os Apóstolos, encorajados com a Ressurreição do Salvador e Sua gloriosa Ascensão, voltaram à Jerusalém para aguardar a descida do Espírito Santo sobre eles, conforme lhes prometeu o Senhor.

Conexão entre a páscoa do Antigo Testamento

e a Páscoa do Novo Testamento

Conforme sabemos, o tempo antigo era um período de preparação do povo hebreu para o advento do Messias. Por esta razão, alguns acontecimentos na vida do povo hebreu e especialmente as profecias dos profetas, referiam-se à vinda de Jesus Cristo e a chegada do Novo Testamento. O Antigo Testamento, através das palavras do Santo Apóstolo Paulo era o portador da criança para Cristo e "sombra de futuras bênçãos" (Gal. 3:24; Heb. 10:1).

A ocorrência mais significativa na história do povo Judeu foi a libertação da escravidão egípcia nos tempos do profeta Moisés, a 1.500 anos antes de Cristo. Esta libertação passou a ser comemorada como a festa nacional da páscoa dos judeus, juntamente com outros acontecimentos, em conexão com a libertação do Egito: a morte, pelo Anjo, dos primogênitos egípcios e a graça das crianças judias em cujas casas eram feitos sinais de sangue do cordeiro de páscoa (daí a palavra "Páscoa" - "passar perto;") o milagre da passagem pelo Mar Vermelho e aniquilaço das tropas egípcias que perseguiam os israelitas; e então o recebimento da Lei (os Dez Mandamentos) no monte Sinai, pelo povo judeu. Foi quando o povo hebreu passou a ser considerado como o povo de Deus. Desde aquele tempo, os judeus festejando a páscoa e seguindo os costumes dos seus antepassados, com orações e cerimônias simbólicas fazem oferendas, mas eles fazem com o cordeiro pascal.

Na a coincidência significativa da morte e Ressurreição do Nosso Senhor Jesus Cristo com os festejos da páscoa dos hebreus, é preciso notar a indicação de Deus na ligação interior profunda entre estes dois acontecimentos, a respeito dos quais o Santo Apóstolo Paulo escreve detalhadamente em sua epístola aos Hebreus. Confrontaremos a seguir os acontecimentos paralelos das duas Páscoas.

Páscoa do Antigo Testamento

Páscoa do Novo Testamento

O empenho do cordeiro sem defeito de Páscoa a salvação dos primogênitos israelitas com o sangue dele (Gen. 12).

A passagem milagrosa dos israelitas no Mar Vermelho e a salvação da escravidão egípcia (Exo.14:22).

A legislação no Monte Sinai no 50o dia após a saída do Egito e a conclusão da aliança com Deus (Exo. 19).

O saborear milagroso do maná enviado pôr Deus (Exo. 16:14).

A peregrinação de 40 anos pelo deserto e as diversas provações, as quais reforçaram nos israelitas a fé em Deus. A colocação da serpente de bronze. O hebreu que a olhasse era salvo de ser mordido pôr serpentes venenosas (Num. 21:9).

A entrada dos hebreus na terra prometida por nova Ter- seus pais.

A crucificação do Cordeiro de Deus, por Cujo Sangue os primogênitos do Novo Testamento (cristãos) são salvos (1 Ped. 1:19).

O batismo na água e a salvação do domínio do demônio (1 Cor. 10:1-2; veja também em Romanos o 6o e 7o capítulos).

A vinda do Céu do Espírito Santo sobre os Apóstolos no 50o dia após a Páscoa e a instituição do Novo Testamento (Ato. 2).

O saborear do pão Celestial - Corpo e Sangue de Cristo na Liturgia (Joã. 6o capítulo).

Provações e dificuldades da vida que cada cristão tem de suportar. Livramento e salvação do remordimento da serpente espiritual, demônio, através da força da Cruz (Joa. 3:14).

 

A promessa de novos céus e uma nova Terra, onde habitará a verdade (2 Ped. 3:13).

Nós podemos ver nestas comparações de acontecimentos pascais que os da páscoa do Antigo Testamento anteciparam as grandes mudanças espirituais as quais seriam concretizadas na vida dos homens após a Ressurreição do nosso Salvador. Eis porque os Apóstolos, comemorando a Páscoa do Novo Testamento afirmavam: "Nossa Páscoa - Cristo, foi sacrificado por nós!" (1 Cor.5:7).

 

Profecias a respeito da

Ressurreição de Cristo

Muitos profetas do Antigo Testamento se pronunciam a respeito da Ressurreição do Messias. Dentre eles, deve-se destacar aqueles que profetizavam que o Messias seria não somente um homem, mas também Deus e por conseguinte, será imortal por Sua divina natureza. Vejamos, por exemplo: Salmos: 2, 44 e 109; Gen. 9:6; Jer.23:5; Miq. 5:2; Mal. 3:1. Também profecias a respeito do Reino Eterno foram feitas, por exemplo: Gen. 49:10; 2 Sam 7:13; Salm 131:11; Ezeq 7; Dan 7:13; pois, o Eterno Reino espiritual se supõe ao Rei imortal.

Entre as profecias corretas sobre a Ressurreição de Cristo, a mais clara vem a ser a de Isaias, 700 anos antes de Cristo, que ocupa todo o capítulo 53 de seu livro. O profeta Isaias, o qual escrevendo o sofrimento de Cristo com tantos detalhes, como se estivesse presente aos pés da Cruz, termina sua narração com as seguintes palavras:

"A Ele foi destinado o túmulo com os malfeitores, mas Ele foi sepultado num túmulo de alguém rico, pois não cometeu pecado, e não havia mentira em seus olhos. Mas Deus achou apropriado entregá-lo ao sofrimento. Porém quando Sua alma trouxer o sacrifício da conciliação, Ele verá eterna a futura geração. E a vontade de Deus será cumprida pela mão Dele com êxito. Na proeza de Sua alma Ele vai olhar com benevolência. Através de Seu conhecimento, Ele, o Justo, Meu Servo, absolve a muitos e levará seus pecados sobre Sí. Por isso Eu Lhe darei parte entre os grandes e Ele irá dividir o prêmio com os fortes."

As palavras finais desta profecia falam diretamente que o Messias, após Seus sofrimentos de salvação e morte, Ressuscitará e será glorificado pelo Deus Pai.

A respeito da Ressurreição de Cristo, o rei Daví também fez profecias no salmo 15, em nome de Cristo, onde diz: "Ponho sempre o Senhor diante dos olhos; pois que Ele está à minha direita, não vacilarei. Por isso Meu coração se alegra e Minha alma exulta. Até Meu corpo descansará seguro. Porque Tu não abandonarás Minha alma na habitação dos mortos, nem permitirás que Teu Santo conheça a corrupção. Tu Me ensinarás o caminho da vida; há abundância de alegria junto de Tí e delícias eternas à Tua direita" (Salm 15:8-11. Veja também Ato 2:25 e 13:35).

Desta maneira, os profetas estabeleceram ao seu povo o fundamento da fé concernente a chegada e Ressurreição do Messias. Eis porque os Apóstolos propagavam com tanto sucesso a fé na ressurreição de Cristo, entre o povo hebreu, a despeito dos obstáculos colocados pelos chefes religiosos da nação hebraica.

 

Os Frutos Espirituais

Da Ressurreição De Cristo

"Assim como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos reviverão" (1 Cor. 15:22). Estas palavras apostólicas dizem não apenas sobre a ressurreição física das pessoas, mas em primeiro lugar, sobre o renascimento da alma. Assim como a morte se dá de duas maneiras - espiritual e física, assim também é a ressurreição - espiritual e física. A morte de Adão, como resultado de prejuízo moral, passou para todas as pessoas. A Ressurreição de Cristo apareceu como o início de nossa ressurreição espiritual, o despertar da tendência espiritual dentro de nós, e também o renascimento moral. Com referência a esta ressurreição espiritual dos crentes, Deus disse: "Vem a hora, e já está aí, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão" (Joã 5:25).

Em vista disto, na iminência da ressurreição de todos os mortos, deve-se diferenciar a ressurreição temporária daqueles mortos os quais o Senhor Jesus Cristo e Seus discípulos ressuscitavam, conforme o Evangelho e os Livros dos Apóstolos. Por exemplo: a ressurreição da filha de Náira, do filho da viúva de Nain e de Lázaro, o qual já estava no caixão há quatro dias, e outros. Aquelas eram as ressuscitações temporárias tanto que, após um determinado tempo os ressuscitados novamente morreram, assim como todas as pessoas. Porém, a ressurreição universal dos mortos será eterna na qual as almas das pessoas se unirão para sempre com seus corpos. - Diante da ressurreição universal, as pessoas justas e corretas se erguerão transformadas, inspiradas e imortais. O primeiro ressuscitado com este corpo renovado e inspirado foi o Senhor Jesus Cristo, a quem o Apóstolo chama de "Primícia dos que morreram" (1 Cor. 15:20). Então, no Reino de Seu Pai, os justos resplandecerão como o sol. Aquele que tem ouvidos, ouça (Mat. 13:43).

A festa da Páscoa cristã é celebrada pelos cristãos ortodoxos com imensa alegria porque eles, nos dias da Páscoa, mais do que em outras épocas, sentem a força do renascimento da Ressurreição de Cristo - cuja força destitui o domínio das trevas, libertou as almas do inferno, abriu as portas para o Paraíso, venceu os laços da morte, derramou vida e luz nas almas dos crentes. É admirável ainda, que a alegria da Páscoa se dissemina para uma quantidade tão grande de pessoas - não apenas nos que crêem profundamente mas também naqueles mais afastados de Deus. Na Páscoa o mundo todo, e parece que até a natureza sem alma, se alegram pela vitória da vida perante a morte.

 

Ofícios De Páscoa

Não existe missa mais iluminada e radiante do que a da Páscoa Ortodoxa. A missa da Páscoa inicia-se com a procissão ao redor da Igreja, com velas acesas nas mãos de todos os fiéis e com o cântico: "Tua Ressurreição, Ó Cristo Salvador; Os Anjos cantam nos Céus: e Concede a nós na terra Te glorificar com o coração puro." Essa procissão relembra o cortejo das mulheres que foram ao túmulo do Salvador, pela manhã bem cedinho para ungir com mirra Seu Corpo Sagrado. Tendo contornado a Igreja, a procissão detêm-se diante das portas principais fechadas e o sacerdote inicia as Matinais exclamando: "Salve Santíssima, consubstancial criadora da vida e indivisível Trindade...." Em seguida, todos os sacerdotes e diáconos (como o anjo que anunciou a Ressurreição de Cristo), cantam por três vezes: "Cristo ressuscitou dos mortos, repara a morte com a morte, e àqueles que estão no túmulo a vida é dada." O canto dos sacerdotes é seguido pelo côro. Então, o sacerdote mais velho proclama as palavras proféticas do salmo: "Que Deus ressuscite e disperse Seus inimigos." As palavras finais de cada verso são seguidas pelo canto alegre do côro "Cristo ressuscitou." Em seguida os sacerdotes e diáconos repetem o início do troparion: Cristo ressuscitou dos mortos, repara a morte com a morte, e o côro termina: "e àqueles que estão no túmulo a vida é dada. Nesse instante as portas da Igreja são abertas, todos entram e inicia-se a grandiosa ladainha (pequenos pedidos) com o cântico: "Senhor, tem piedade"; em seguida canta-se os cânones de Páscoa: é "dia da Ressurreição," composto por São João de Damascus.

Durante esses cânticos, os sacerdotes repetidamente incensam o templo inteiro e fazem saudação aos fiéis com as palavras: "Cristo ressuscitou!," à qual todos respondem com vigor: Em verdade ressuscitou." Ao final da Matinal é lido o sermão inspirador de São João Chrisóstomo, o qual inicia-se com as palavras: "Quem quer que seja devoto..."

As habituais "Horas" não são lidas; elas são substituídas por cânticos de hinos de Páscoa. A Liturgia inicia-se logo após a "Zaútrinia." Em lugar dos Salmos habituais, são cantados antífonas especiais (pequenas preces com versos); em lugar do cântico da Trindade, é cantado "Tantos quantos foram batizados em Cristo. O Evangelho lido é a respeito do nascimento imortal do Filho de Deus de Deus Pai e da Divindade de Jesus Cristo, Verbo de Deus (Joã. 1:1-17), o qual Ele provou através de Sua Gloriosa Ressurreição. Quando são vários sacerdotes que estão presente no ofício, o Evangelho é lido em vários idiomas; isto significa que os Apóstolos pregavam a várias nações a respeito da Ressurreição, em seu idioma nativo.

Em lugar do cântico usual glorificando a Virgem Maria, é cantado:

"O Anjo proclamava à Abençoada: Virgem, Pura, alegra-Te! E novamente eu digo: Alegra-Te! Teu Filho ergueu-se do túmulo no terceiro dia após a morte e ressuscitou os mortos: povo, alegre-se!"

Seja glorificada, seja glorificada, Nova Jerusalém (Igreja de Cristo), pois sobre você brilhou a Glória de Deus: celebra e festeja Sion (Igreja de Cristo)! E Tu, Pura, alegra-Te com a Ressurreição dAquele que nasceu de Tí!

Após, é feita a consagração do "Artos" (Pão bento). Este é um Pão especial, onde é representada a Ressurreição de Cristo. No seguimento do ofício o "Artos" é partido em pedaços e distribuído entre os crentes em memória à aparição do Cristo ressuscitado aos Apóstolos Lucas e Cleópas (os quais O reconheceram após Ele Ter partido o pão). No primeiro dia da Santa Páscoa são benzidos ovos, queijo e manteiga, e também panetones, com os quais os crentes terminam com o jejum. No dia da Santa Páscoa, os cristãos ortodoxos se cumprimentam entre sí com beijo fraterno com as palavras: "Cristo ressuscitou" e fazem troca de ovos vermelhos, os quais simboliza a Ressurreição. Durante todos os dias da Semana da Páscoa, as portas do Altar permanecem abertas como sinal de que a Ressurreição de Cristo abriu a todas pessoas a entrada para o Céu. Começando com o primeiro dia da Santa Páscoa até a Vesperal da Santíssima Trindade (durante 50 dias) não se deve fazer reverências ou saudações até o chão.

 

Cânone de Páscoa

1o cântico

Eirmos: É o dia da Ressurreição! Fiquemos radiantes, homens! Páscoa! A Páscoa de Deus! Pois Cristo nosso Deus nos trouxe da morte para a vida e da terra para o Céu, enquanto cantamos hinos de triunfo!

Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos (antes de cada troparion).

Purifiquemos nossos sentimentos e veremos Cristo, iluminado pela luz inacessível da Ressurreição, e ouviremos claramente Dele: "Alegrem-se!" enquanto cantamos hinos de triunfo.

Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos.

Os Céus dignamente se alegrarão, o universo estará feliz, e o mundo inteiro, visível e invisível, estará em festa, pois Cristo, nossa eterna felicidade, se ergueu - alegria eterna!

3o cântico

Eirmos: Venham, bebamos da nova bebida, que não brotou milagrosamente de uma pedra árida, mas da fonte incorruptível - o Túmulo de Cristo, em Quem nos sustentamos (Exo. 17:6).

Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos.

Agora tudo encheu-se de luz - o céu e a terra, e lugares mais ocultos; que toda criação celebre a Ressurreição de Cristo, na Qual nos afirmamos.

Ontem eu fui sepultado conTigo, Oh Cristo, e hoje eu me ergo conTigo ressuscitado; ontem eu fui crucificado conTigo. Glorifica-me. Oh Salvador, em Teu Reino (Rom. 6:3-4).

4o cântico

Eirmos: Possa o divino profeta Habacuc colocar-se conosco em guarda e nos mostrar o Anjo iluminado dizendo claramente: hoje a salvação veio ao mundo, pois Cristo ressuscitou como Onipotente (Hab. 2:1, Is. 9:6).

Refrão: Cristo Ressuscitou dos mortos.

Nossa Páscoa - Cristo se revelou como do sexo masculino, como filho do ventre da Virgem. Ele é chamado de Cordeiro - como oferenda para alimento - como Purificador do mal e como Deus verdadeiro - proclamado perfeito (Exo. 12:5).

Cristo, nossa Corôa abençoada - como um cordeiro novo, voluntariamente Se sacrificou por todos na Páscoa purificadora, e novamente resplandeceu, Sol magnífico da verdade.

Davi, o antepassado de nosso Divino Deus, dançava com todas as suas forças diante da Arca do Senhor; e nós, povo abençoado de Deus, vendo a execução dos protótipos, nos alegremos divinamente, pois Cristo ressuscitou, como Onipotente! (2 Sam. 6:14).

5o cântico

Eirmos: Vamos nos erguer no profundo amanhecer e em lugar da mirra, oferecer um hino ao Senhor, e veremos a Cristo - Sol da verdade, instrutor da vida para todos.

Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos.

Tendo visto a Sua infinita misericórdia, Oh Cristo, aqueles mantidos nas cadeias do inferno, alegremente apressaram-se para a luz, glorificando a Páscoa eterna!

Com lanternas nas mãos, vamos ao encontro de Cristo, saído do túmulo como um noivo, e com fileira de Anjos celebrando, celebremos a Páscoa do Deus da Salvação.

6o cântico

Eirmos: Tu desceste, Oh Cristo, às profundezas ocultas da terra e destruíste as eternas barreiras que mantinham os prisioneiros cativos, e no terceiro dia, tal qual Jonas saiu do ventre da baleia, saíste do túmulo (Jon. 2:11).

Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos.

Tendo mantido o lacre da Virgem intacto com Teu nascimento, Oh! Cristo, Tu Te ergueste do túmulo sem violar o lacre, e nos abriste as portas do Paraíso.

Oh, meu Salvador, como Deus, Sacrifício indestrutível! Voluntariamente Se oferecendo ao Pai, Tu, Te ergueste do túmulo, ressuscitaste junto a Adão.

Kondaquion

Não obstante que Tu desceste ao túmulo, Oh Imortal, entretanto Tu exterminaste o povo do inferno, e Te elevaste novamente como vencedor, Oh, Cristo, nosso Senhor, dizendo às mulheres que portavam a mirra: alegrem-se! E dando paz aos Seus Apóstolos, e oferecendo Ressurreição aos arruinados.

Ikos: As portadoras de mirra solteiras que anteciparam a aurora e buscaram, como aqueles que procuram o dia, seu Sol, Aquele que era antes do sol e que uma vez esteve no túmulo. E elas gritaram reciprocamente: Amigos, venham, vamos ungir com aromas Seu Corpo Vivificante e sepultado - a Carne Que ergueu Adão, e Que agora está no túmulo. Vamos, apressemo-nos, vamos venerar; e vamos levar a mirra como um presente a Ele, que está enrolado, mas ainda não enfaixado, e sim na mortalha (sudário). E vamos chorar e clamar: Levanta-Te, Oh! Senhor, Que ofereceu a Ressurreição aos caídos.

Tendo contemplado a Ressurreição de Cristo, vamos adorar o Sagrado Senhor Jesus, o único Impecável. Nós veneramos Tua Cruz, Oh! Cristo, e Sua Santíssima Ressurreição nós louvamos e glorificamos; por Tua habilidade, nosso Deus, só conhecemos a Tí; nós chamamos por Teu nome. Oh, venham, todos fiéis, vamos venerar.

Sagrada Ressurreição de Cristo. Através da Cruz, a alegria chegou para o mundo todo. Eterno louvor ao Senhor, vamos glorificar Sua Ressurreição. Pela Cruz, Ele destruiu a morte pela morte. (repetir 3 vezes).

Jesus, tendo se erguido do túmulo, conforme Ele profetizou, nos deu a vida eterna e grande misericórdia. (repetir 3 vezes).

7o cântico

Eirmos: Ele, Que salvou as crianças da fornalha, se fez homem, sofreu, como um mortal, e através do Seu sofrimento, vestiu a mortalidade com a graça da imortalidade. O único Deus dos homens, Abençoado e Glorioso.

Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos.

As mulheres sábias e devotas Te seguiam com a mirra; mas Aquele que elas procuravam com lágrimas como morto, elas reverenciaram com alegria, como ao Deus vivo, e contaram aos Teus discípulos, Oh! Cristo, as boas notícias da Páscoa mística.

Nós celebramos a mortificação da morte, a destruição do inferno, o início de outra vida, a vida eterna e saltamos de alegria e glorificamos o Responsável por tudo, o único Deus dos homens, Abençoado e Glorioso (Ose. 13:14).

Pela verdade a santíssima e supremas festa é esta noite de salvação radiante de Luz, o prenúncio do dia brilhante da Ressurreição, na qual a Luz Eterna brilhou do Túmulo materialmente, para todos.

8o cântico

Eirmos: Este é o Dia escolhido, o único, o primeiro dos sábados - a festa das festas e o triunfo dos triunfos; neste dia bendizemos Cristo para sempre!

Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos.

Vinde ao dia glorificado da Ressurreição, compartilhemos do fruto do novo vinho, divina felicidade, Reino de Cristo, glorificando-O, como Deus, para sempre.

Lança o teu olhar, Oh! Sion, e olha ao teu redor: Eis que se estenderam as tuas crianças, como luzes divinas do norte, sul, leste, do mar e do levante, Abençoando em Tí Cristo, para sempre (Isa. 60:4).

Pai, Todo Poderoso, e Palavra e Espírito - Único Ser em três Unidades, Altíssimo e Divino! Em Tí nós fomos batizados e iremos Te glorificas para todo o sempre.

9o cântico

Eirmos: Brilha, brilha, nova Jerusalém; pois a Glória do Senhor brilhou sobre tí; festeja e alegra-te agora, Oh! Sion. E Tu, a Pura Mãe de Jesus, alegra-Te pela ascensão Dele, a Quem deste a Luz (Isa. 60:1).

Refrão: Cristo ressuscitou dos mortos.

Oh, como é divina, dócil e maravilhosa a Tua palavra, Oh Cristo! Tu prometeste estar conosco até o fim do mundo. Tendo esta esperança de apoio, nós, crentes, nos alegramos (Mat. 28:20).

Oh, Páscoa, Magnífica e Sagrada, Oh, Cristo! Força e palavra de Deus! Permita a nós nos unirmos completamente a Tí no dia infinito do Teu Reino (Cor. 5:7; 13:12).

 

Refrão1: Glorificai, Oh, minha alma, Cristo o doador da vida, Aquele que se ergueu do Túmulo no 3o dia. Brilha, brilha, nova Jerusalém; pois a Glória do Senhor brilhou sobre tí; festeja e alegra-te agora, Oh! Sion. E Tu, a Pura Mãe de Jesus, alegra-Te pela ascensão Dele, a Quem deste a Luz.

Refrão 2: Glorificai, Oh, minha alma, Cristo o doador da vida, Aquele que se ergueu do Túmulo no 3o dia.

Refrão 3: Cristo na Nova Páscoa, a Vítima viva sacrificada, o Cordeiro de Deus Que tirou os pecados do mundo.

Troparion: Oh Divina, Oh Querida, Oh doce Voz! Tú, oh Cristo, nos prometeste fielmente estar conosco até o fim do mundo. E nos apoiando firmemente nesta promessa como uma ancora de esperança, nós os devotados nos alegramos.

Refrão 4: O Anjo gritou para Aquela que é cheia de Graça: Alegra-Te, Virgem Pura! E de novo eu digo: Alegra-Te! Teu Filho ressuscitou do Túmulo no 3o dia e ressuscitou os mortos. Alegra-se, povo! (repetir novamente: "Oh Divina, Oh Querida").

Refrão 5: Rugindo majestosamente, como o Leão de Judá, Tu adormeceste, e Tu ergueste os mortos de todos os tempos passados. (repetir novamente: "Oh Divina, Oh Querida."..).

Refrão 6: Maria Madalena correu ao sepulcro e viu Cristo e falou com Ele como se fosse jardineiro.

Troparion: Oh, Páscoa Grande e Sagrada, Cristo! Oh, Sabedoria, Palavra e Povo de Deus! Permita que possamos com a máxima perfeição, partilhar de Tí no Dia infinito do Teu Reino.

Refrão 7: O Anjo resplandecente falou às mulheres: Parem com as lágrimas, pois Cristo ressuscitou.

Refrão 8: Povo, alegre-se, pois Cristo ressuscitou, pisou na morte e ressuscitou os mortos.

Refrão 9: Hoje toda humanidade está feliz e alegra-se, pois Cristo ressuscitou e o inferno foi vencido.

Refrão 10: Hoje o Mestre conquistou o inferno e ergueu os prisioneiros dos tempos, os quais estavam presos num amargo cativeiro.

Refrão 11: Alegra-Te, Oh Virgem! Alegra-Te, Oh Abençoada! Alegra-Te, Oh Gloriosa! Pois Teu Filho ressuscitou do Túmulo no 3o dia. "Katabasia": Brilha, brilha, nova Jerusalém; pois a Glória do Senhor brilhou sobre tí; festeja e alegra-te agora, Oh! Sion. E Tu, a Pura Mãe de Jesus, alegra-Te pela ascensão Dele, a Quem deste a Luz.

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publicado por igrejacatolicaortodoxa às 15:29
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A VENERAÇÃO DAS SANTAS IMAGENS NA NOSSA IGREJA

Santos Ícones

Do Capítulo VI, "Dimensões da Redenção," da

Collected Works of Georges Florovsky, Vol. III:

Creation and Redemption (Nordland Publishing Company):

Belmont, Mass., 1976), pp. 209-212.

O PRIMEIRO DOMINGO DA GRANDE QUARESMA É O DOMINGO DA ORTODOXIA. Ele foi estabelecido como um dia memorial especial pelo Concilio de Constantinopla em 843. Ele comemora antes de tudo a vitória da Igreja sobre a heresia dos Iconoclastas: o uso e veneração dos Santos Ícones foi restaurada. Neste dia nós continuamos a cantar o tropário da Santa Imagem de Cristo: "Nós reverenciamos Tua sagrada Imagem, ó Cristo..."

Á primeira vista, pode parecer ser uma ocasião inadequada para comemorar a glória da Igreja e todos os heróis e mártires da Fé da Igreja. Não seria mais razoável fazer isto nos dias dedicados à memória dos grandes Concílios Ecumênicos ou dos Santos Padres da Igreja? A veneração do Ícone não é mais uma peça de um ritual e cerimonial externo? Um Ícone pintado não é justamente mais uma decoração, muito bonita de fato, e de diversas maneiras instrutiva, mas dificilmente um artigo de Fé? Esta é a opinião corrente, infelizmente largamente espalhada mesmo entre os próprios Ortodoxos. E é a responsável por um pesaroso decaimento da nossa arte religiosa. Nós usualmente confundimos Ícones com "pinturas religiosas", e assim não encontramos dificuldade em usar as mais inadequadas pinturas como Ícones, mesmo nas nossas igrejas. Com excessiva freqüência nós simplesmente perdemos o significado religioso dos Santos Ícones. Nós esquecemos do verdadeiro e definitivo propósito dos Ícones.

Olhemos o testemunho de São João Damasceno — um dos primeiros e maiores defensores dos Santos Ícones na época da luta — o grande teólogo e poeta devocional da nossa Igreja. Em um de seus sermões em defesa dos Ícones ele diz: "Eu tenho visto a imagem humana de Deus e minha alma está salva". É uma afirmação forte e mobilizadora. Deus é invisível, Ele vive na luz inaproximável. Como pode um homem frágil ver ou contemplar Ele? Porém, Deus Se manifestou na carne. O Filho de Deus, Que está no seio do Pai, "desceu do céu" e "Se fez homem". Ele habitou entre os homens. Este foi o grande movimento do Amor Divino. O Pai Celestial foi movido pela miséria do homem e enviou Seu Filho porque Ele amava o mundo. "Deus nunca foi visto por alguém. O Filho Unigênito, Que está no seio do Pai, Este o fez conhecer." (Jo. 1: 18). O Ícone de Cristo, Deus Encarnado, é um testemunho contínuo da Igreja para aquele mistério da Santa Encarnação, que é a base e substância de nossa fé e esperança. Cristo Jesus, nosso abençoado Senhor, é Deus Encarnado. Isto significa que desde a Encarnação Deus é visível. Pode-se ter agora uma verdadeira imagem de Deus. A Encarnação é uma identificação íntima e pessoal de Deus com o homem, com as necessidades e misérias do homem. O Filho de Deus "Se fez homem", como afirma o Credo, "e por nós homens e para nossa salvação". Ele tomou sobre Si os pecados do mundo, e morreu por nós pecadores na árvore da Cruz, e assim Ele fez da Cruz a árvore da vida para os fiéis. Ele Se tornou o novo e Último Adão. A Cabeça da nova e redimida humanidade. A Encarnação significa uma intervenção pessoal de Deus na vida do homem, uma intervenção do Amor e Misericórdia. O Santo Ícone de Cristo é um símbolo disto, mas muito mais do que um mero símbolo ou sinal. É também um eficiente sinal e recordação da presença em habitação de Cristo na Igreja, que é Seu Corpo. Mesmo em uma pintura comum há sempre algo da pessoa representada. Uma pintura não só nos lembra da pessoa, mas de alguma forma conduz a alguma coisa dela, isto é, "representa" a pessoa, ou seja, "torna ela presente de novo". Isto é ainda mais verdade com a sagrada Imagem de Cristo. Como os professores da Igreja nos ensinaram — especialmente São Teodoro o Estudita, outro grande confessor e defensor dos Santos Ícones — um Ícone, em certo sentido, pertence á própria personalidade de Cristo. O Senhor está lá, nas Suas "Santas Imagens".

Por isso, nem todo mundo tem permissão para fazer ou pintar um Ícone, se se tratar de verdadeiros Ícones. O pintor de Ícones deve ser um membro fiel da Igreja, e deve se preparar para sua tarefa sagrada com jejum e oração. Não se trata somente de uma questão de arte, ou de habilidade artística ou técnica. É um tipo de testemunho, uma profissão de fé. Pela mesma razão, a arte em si deve ser subordinada de todo o coração à regra da fé. Há limites para a imaginação artística. Existem certos padrões estabelecidos a serem seguidos. Em todo caso, o Ícone de Cristo deve ser executado de maneira a conduzir à verdadeira concepção de Sua pessoa, isto é, testemunhar a Sua Divindade, ainda que Encarnada. Todas estas regras foram mantidas por séculos na Igreja, e então elas foram esquecidas. Até mesmo descrentes foram autorizados a pintar ícones de Cristo nas igrejas, e assim certos ‘ícones’ modernos não são mais do que pinturas, nos mostrando somente um homem. Estas pinturas falham em ser "Ícones" em qualquer sentido próprio e verdadeiro, e cessam de ser testemunhas da Encarnação. Em tais casos, nós simplesmente "decoramos" nossas igrejas.

O uso dos Santos Ícones sempre foi uma das características mais distintivas da Igreja Ortodoxa Oriental. O Ocidente Cristão, mesmo antes do Cisma, tinha pouco entendimento desta substância dogmática e devocional da pintura de Ícones. No Ocidente ela significava simplesmente decoração. E foi sob influência ocidental que a pintura de Ícones também se deteriorou no Oriente Ortodoxo nos tempos modernos. O decaimento da pintura de Ícones foi um sintoma do enfraquecimento da fé. A arte dos Santos Ícones não é uma matéria neutra. Ele pertence à Fé.

Não deve haver risco, nem "improvisação" na pintura de nossas igrejas. Cristo nunca está sozinho, afirma São João Damasceno. Ele está sempre com Seus santos, que são Seus amigos para sempre. Cristo é a Cabeça, e os verdadeiros fiéis são o Corpo. Nas igrejas antigas o estado completo da Igreja Triunfante estava representado pictorialmente nas paredes. De novo, isto não era simplesmente uma decoração, nem era uma simplesmente uma história contada em linhas e cores para os ignorantes e iletrados. Era mais uma visão da realidade invisível da Igreja. A companhia toda do Céu estava representada porque ela estava presente ali, apesar de invisivelmente. Nós sempre oramos na Divina Liturgia, durante a Pequena Entrada, "que os Santos Anjos entrem conosco para servirem conosco...". E nossa oração é, sem dúvida, atendida. Nós não vemos os Anjos, na verdade. Nossa visão é fraca. Mas é relatado que São Serafim costumava vê-los, pois eles estavam lá de fato. Os eleitos do Senhor os vêem e a Igreja Triunfante. Ícones são sinais desta presença. "Quando nós estamos no templo de Tua glória, nós os vemos nos Céus".

Assim, é bastante natural que no Domingo da Ortodoxia nós devamos celebrar não somente a restauração da veneração dos Ícones, mas comemorar também o glorioso corpo de testemunhas e fiéis que professaram sua fé, mesmo ao custo de sua segurança, prosperidade e a própria vida mundana. É o grande dia da Igreja. De fato, nesse dia nós celebramos a Igreja do Verbo Encarnado: nós celebramos o Amor redimidor do Pai, o Amor Crucificado do Filho, e o Companheirismo do Espírito Santo, tornados visíveis na companhia toda dos fiéis, que já entraram no Repouso Celeste, na alegria Permanente do Senhor e Mestre deles. Santos Ícones são nossas testemunhas do Reino que há de vir, e já presente.

 

publicado por igrejacatolicaortodoxa às 15:24
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VIDA APÓS A MORTE 1

Introdução

"Eu estava deitado na sala da UTI do hospital infantil de Seattle, Estado de Washington, EUA, - conta o garoto Dean de 16 anos, cujos rins pararam de funcionar, - quando, de repente, senti-me em pé, movendo-me com incrível velocidade através de um espaço escuro. Eu não via paredes em minha volta, no entanto, parecia ser algo como um túnel. Não sentia vento, porém, percebia que me deslocava com incrível velocidade. Apesar de não entender o porque e para onde eu estava voando, sentia que no final do meu vôo algo muito importante me esperava e eu queria chegar ao meu destino o mais rápido possível.

Finalmente, eu me via em um lugar repleto de luz brilhante e então percebi que havia alguem perto de mim. Era alguém alto, com longos cabelos dourados; vestia roupa branca amarrada no meio com um cinto. Ele não dizia nada, mas eu não tinha medo pois, uma enorme paz e amor emanavam dele. Se não era Cristo, devia ser um de Seus anjos." Depois disto, Dean sentiu que retornou ao seu corpo e voltou a sí. Estas impressões, tão curtas mas muito marcantes, deixaram uma marca profunda na alma de Dean. Ele tornou-se um jovem muito religioso, o que influenciou positivamente toda a sua família.

Este é um dos relatos típicos, reunidos pelo médico pediatra americano Dr. Melvin Morse e publicados no livro "mais próximo da Luz" (Closer to the Light) [7].

Ele observou o primeiro caso de morte temporária em 1982, quando conseguiu fazer reviver a menina Catarina de 9 anos, que se afogou numa piscina pública. Catarina conta que, durante o tempo em que esteve morta, encontrou-se com uma adorável "senhora" que disse chamar-se Elizabeth, - era provavelmente o seu Anjo da Guarda. Elizabeth acolheu com muito carinho a alma de Catarina e conversou com ela. Ciente de que Catarina ainda não estava pronta para passar para a vida espiritual, Elizabeth permitiu que ela retornasse ao seu corpo. Durante este período de sua carreira médica, o Dr. Morse trabalhava em um hospital da cidadezinha de Pocatelo, no estado de Idaho, EUA.

O relato da menina teve um profundo efeito nele, que até então era céptico em relação a tudo que era espiritual, uma impressão tão forte, que ele resolveu estudar mais profundamente a questão sobre o que acontece com uma pessoa logo após a sua morte. No caso de Catarina, Dr. Morse admirou-se particularmente com a descrição detalhada de tudo que sucedeu na hora em que se encontrava morta clinicamente, - tanto no hospital, como em sua casa - como se ela estivesse alí presente. Dr. Morse verificou e se convenceu da veracidade de todas as observações de Catarina.

Após ter sido transferido para o Hospital Infantil Ortopédico de Seattle, e mais tarde, ao Centro de Medicina de Seatle, Dr. Morse começou a estudar sistematicamente a questão da morte. Ele questionava muitas crianças, as quais tiveram a experiência com a morte clínica; comparava e documentava seus relatos. Além disso, ele continuava a manter contato com seus jovens pacientes e observava o seu desenvolvimento intelectual e espiritual a medida que eles cresciam. No seu livro, "Closer to the Light," Dr. Morse afirma que todas as crianças que ele conheceu, que sobreviveram à morte temporária, ao crescer, tornaram-se jovens sérios e religiosos, moralmente mais puros que outros jovens que não passaram por isto. Todos eles aceitaram suas experiências como manifestação da misericórdia de Deus e como um sinal superior de que é preciso viver para o bem.

Relatos semelhantes sobre a vida após a morte, até há pouco tempo, eram publicados apenas na área da literatura religiosa. As revistas populares e livros científicos, via de regra, evitavam esses temas. Um número enorme de médicos e psiquiatras mantinham uma postura negativa em relação a quaisquer manifestações espirituais e não acreditavam na existência da alma. E há apenas vinte anos, durante o aparente triunfo do materialismo, alguns médicos e psiquiatras se interessaram seriamente sobre a questão da existência da alma. O impulso para este movimento foi o livro do Dr. Raymond Moody "Vida após vida"[1], publicado em 1975. Nesse livro, Dr. Moody coletou uma série de relatos de pessoas que tiveram experiência com a morte clínica. Relatos de alguns conhecidos levaram Dr. Moody a interessar-se pela questão, e quando começou a juntar informações, para seu espanto, descobriu que existem muitas pessoas, as quais, na hora em que tiveram morte clínica, tiveram visões fora de seus corpos. Porém, essas pessoas não contavam a ninguém a esse respeito para não serem ridicularizadas e consideradas pessoas loucas.

Logo após o lançamento do livro do Dr. Moody, a imprensa sensacionalista e a TV divulgaram amplamente os dados coletados por ele. Começaram as discussões acaloradas sobre o tema da vida após a morte e houve até debates públicos. Então, uma série de médicos, psiquiatras e líderes espirituais considerando-se afetados em seu campo de perícia por fontes incompetentes, resolveram conferir os dados e as conclusões do Dr. Moody. Muitos deles ficaram surpresos quando verificaram a veracidade das observações do Dr. Moody, - ou seja, que mesmo após a morte a existência do homem não termina, e sua alma continua a ouvir, pensar e sentir.

Entre as pesquisas sérias e sistemáticas sobre a questão da morte, deve-se mencionar o livro do Dr. Michael Sabom "Lembranças da Morte" (Recollections of Death) [5].O Dr. Sabom é professor de medicina na universidade de Emory e médico no hospital para veteranos na cidade de Atlanta. Em seu livro, podemos encontrar dados precisos e documentados, bem como profundas análises a respeito do assunto em pauta.

Também é valiosa a pesquisa sistemática do psiquiatra Kenneth Ring, publicada no livro "Life at Death" (Vida na Morte)[6]. Dr. Ring montou um questionário para ser respondido pelos sobreviventes à morte clínica. Nomes de outros médicos que se envolveram nessa questão estão citados na parte da bibliografia. Muitos deles começaram suas observações, sendo céticos. Mas, vendo casos novos que confirmavam a existência da alma, mudavam sua perspectiva.

Neste artigo, relataremos alguns casos de pessoas que sobreviveram à morte clínica, compararemos estes dados com os ensinamentos cristãos tradicionais sobre a vida da alma no outro mundo e daremos conclusões comparativas. No suplemento, examinaremos o ensino teosófico sobre a reencarnação.

 

O que a alma vê

no "outro" mundo

A morte não é como muitos a imaginam. Na hora da morte, teremos que ver e passar por muitas coisas para as quais não estamos preparados. O objetivo desse artigo é o de ampliar e expandir e pormenorizar nossa compreensão sobre a inevitável separação do nosso corpo mortal.

Para muitos, a morte é como dormir sem sonhar.Você fecha os olhos, adormece e nada mais existe, apenas a escuridão. Só que dormir termina ao amanhecer e a morte é para sempre. A muitos, o desconhecido é o que mais assusta: "O que acontecerá comigo?" E então procuramos não pensar na morte. Entretanto lá no nosso íntimo sempre existe o sentimento do inevitável e uma ansiedade inquietante. Cada um de nós terá de atravessar esta fronteira. Deveriamos pensar e nos preparar para isto. Alguém pode perguntar: "Mas pensar e se preparar para que? Isto não depende de nós. Chega a nossa hora, morremos e pronto. Mas enquanto ainda há tempo, é preciso tomar tudo da vida, tudo aquilo que ela pode nos proporcionar: beber, comer, amar, conseguir o poder e a glória, o respeito, ganhar dinheiro, etc. Não se deve pensar sobre nada desagradável e difícil e, claro, nem cogitar sobre a morte." Muitos agem assim.

E, mesmo assim, às vezes, outros pensamentos perturbadores passam pela nossa cabeça: "E se não for assim? E se a morte não for o fim, e após a morte do corpo, eu, inesperadamente para mim mesmo, de repente me encontrar em condições completamente novas, conservando a capacidade de ver, ouvir e sentir?" E o mais importante: "E se, o nosso futuro no além, de alguma forma depender do como vivemos a nossa vida e de como éramos antes do momento de cruzar a soleira da morte?"

Reunindo os relatos das pessoas que sobreviveram à morte clínica, emerge o seguinte quadro do que a alma vê e experimenta, ao separar-se do corpo. Quando a morte se processa e a pessoa atinge o limite de desfalecimento, ela ouve quando o médico a considera morta. Em seguida, ela vê seu "sosia" - um corpo inerte - deitado abaixo dela, e os médicos e as enfermeiras tentando revive-la. Essas imagens inesperadas provocam um grande choque na pessoa, porque, pela primeira vez na vida ela se vê do lado de fora. E aí ela verifica que as suas capacidades habituais - ver, ouvir, pensar, sentir etc. - continuam a funcionar normalmente, só que agora independentes do seu envolucro exterior. Flutuando no ar, acima dos outros que se encontram no quarto, a pessoa instintivamente tenta comunicar-se, dizer algo ou tocar alguém. Mas, para seu horror, percebe que está isolada dos outros: ninguém a ouve, nem sente o seu toque. Além disso, ela fica admirada ao sentir uma sensação inacreditável de alívio, serenidade e até mesmo alegria. Não há mais aquela parte do "eu" que sofria, exigia algo e queixava-se sempre de tudo. Sentindo tal alivio, a alma do morto normalmente não quer voltar ao seu corpo.

Na maioria dos casos documentados da morte temporária, a alma, após observar por alguns momentos o que se passa ao redor, volta ao seu corpo físico, e nesse momento, o conhecimento do outro mundo é interrompido. Mas, às vezes, a alma dirige-se adiante para o mundo espiritual. Alguns descrevem essa sensação como movimento num túnel escuro. Após isso, as almas de algumas pessoas vão para um mundo de grande beleza, onde, às vezes elas encontram parentes, que morreram anteriormente. Outras, vão parar numa região de luz e encontram-se com um ser de luz, do qual emanam grande amor e compreensão. Alguns afirmam que é o nosso Jesus Cristo, outros que é um anjo. Mas, todos concordam que é alguém repleto de bondade e compaixão. Alguns ainda, vão parar em lugares tenebrosos e, voltando, descrevem terem visto seres cruéis e repugnantes. Ás vezes, o encontro com o misterioso ser luminoso é acompanhado de uma "revisão" da vida, quando a pessoa começa a lembrar do seu passado e faz uma avaliação moral dos seus atos. Após isto, alguns vêem algo semelhante a uma cerca ou fronteira. Eles sentem que, uma vez ultrapassada esta fronteira, não poderão voltar ao mundo físico.

Nem todos os que sobreviveram à morte temporária passaram por todas essas fases. Uma porcentagem significativa de pessoas que voltaram à vida, não se lembram de nada que aconteceu com eles "lá." As etapas citadas são colocadas em ordem de sua freqüência relativa, começando com as que ocorrem mais freqüentemente e terminando com as que são mais raras. Segundo os dados do Dr. Ring, aproximadamente um de cada sete que lembram-se da existência fora do corpo, viu a luz e conversou com o ser de luz.

Graças ao progresso da medicina, a reanimação dos mortos passou a ser um procedimento quase padrão em muitos hospitais atuais. Antigamente, isso quase não existia. Por isso, existe uma certa diferença entre os relatos da vida pós - morte na literatura antiga, mais tradicional, e na moderna. Os livros religiosos mais antigos, relatando sobre a aparição da alma dos mortos, contam sobre visões no paraíso ou no inferno e sobre encontros com anjos ou demônios. Esses relatos podem se chamar de descrições do "cosmo distante," já que retrata o mundo espiritual distante de nós. Os relatos modernos, anotados pelos médicos - reanimadores, ao contrário, descrevem principalmente quadros do "cosmo próximo" - as primeiras impressões da alma que acaba de deixar o corpo. Esses relatos são interessantes pois complementam a primeira categoria de relatos (dos tempos mais antigos) e nos dão a possibilidade de entender com mais clareza aquilo que espera cada um de nós Entre estas duas categorias, está a descrição de K. Ixcul, publicada pelo Arcebispo Nikon em 1916 nas "Páginas da trindade" sob o título "Inacreditável para muitos, mas aconteceu" que abrange os dois mundos - o "distante," e o" próximo." Em 1959, o "Mosteiro da Santíssima Trindade" reeditou esta história numa brochura separada.Vamos apresenta-la aqui de uma forma abreviada. Este relato envolve elementos da literatura antiga e contemporânea sobre o mundo após morte.

K. Ixcul era um típico jovem intelectual da Rússia antes da revolução. Ele foi batizado quando criança e cresceu no meio ortodoxo, mas com era comum entre os intelectuais, era indiferente à religião. Às vezes entrava numa igreja, comemorava as festas de Natal e Páscoa, até comungava uma vez por ano, mas considerava muitos ensinamentos da religião ortodoxa como sendo superstições arcaicas, inclusive o ensinamento sobre a vida após a morte. Ele tinha certeza que com a morte terminava a existência do homem..

Certa vez, ele teve pneumonia. A doença se tornou séria e demorada, e enfim ele foi internado no hospital. Ele não pensava sobre a morte que se aproximava e esperava ficar bom logo e recomeçar as suas atividades habituais. Certa manhã, ele de repente, sentiu-se muito bem. A tosse passou, a febre baixou. Ele pensou, que enfim, estava curado. Mas, para seu espanto, os médico ficaram preocupados e trouxeram oxigênio. E depois - calafrios e completa apatia por tudo que estava em sua volta. Ele conta:

"Toda a minha atenção concentrou-se em mim mesmo... é como se ocorresse bipartição... apareceu o homem interior - o mais importante, que tinha total indiferença ao corpo exterior e ao que ocorria com ele... Era espantoso ver e ouvir e ao mesmo tempo sentir desinteresse em relação a tudo. O médico faz uma pergunta, eu ouço, entendo, mas não respondo - não tenho porque falar com ele... E de repente, fui puxado para baixo, para a terra, por uma força enorme. Eu me agitei. "Agonia" - disse o médico. Eu entendia tudo, não sentia medo.

Lembrei-me ter lido que a morte é dolorosa, mas não sentia dor. No entanto, sentia um pesar. Eu era puxado para baixo... Eu sentia que algo deveria desprender-se... Fiz um esforço para me libertar e de repente, senti-me leve. Eu senti paz. Lembro-me claramente do restante. Eu estou em pé no meio do quarto. A minha direita, formando semi - circulo em torno da cama, estão os médicos e as enfermeiras. Eu estava surpreso - o que eles estão fazendo lá, já que eu não estou lá, estou aqui. Aproximei-me para olhar. Deitado sobre a cama, estava eu. Ao ver o meu "dublê," não me assustei, mas fiquei surpreso - como é possível? Eu quis tocar a mim mesmo - minha mão atravessou, como se tivesse atravessado o vazio. Não consegui também tocar os outros. Não sentia o chão... Eu chamei o médico, mas ele não reagiu. Eu entendi que estava completamente só, e entrei em pânico.

Olhando o meu corpo físico, pensei: "Será que eu morri?" Mas, isto era difícil de admitir. Eu me sentia mais vivo que antes, sentia tudo e entendia. Após um certo tempo, os médicos saíram do quarto, os dois enfermeiros começaram a discutir as peripécias da minha enfermidade e da morte, e a auxiliar, virando-se para o ícone, fez o sinal da Cruz e em voz alta desejou-me o habitual: "Que ele tenha o Reino dos Céus, e paz eterna." E mal ela pronunciou estas palavras, apareceram dois anjos. Um deles, eu imediatamente o reconheci, era o meu Anjo da Guarda, o outro eu desconhecia. Os dois anjos, pegando-me sob os braços, levaram-me para a rua, direto através da parede do hospital. Já escurecia e nevava. Eu via isso, mas não sentia nem o frio e nem mudança de temperatura. Nós começamos a subir rapidamente." Mais adiante continuaremos o relato do Ixcul.

Graças às novas pesquisas na área da reanimação e coletando diversos relatos dos sobreviventes à morte clínica, há possibilidade de formar um quadro detalhado, sobre o que a alma vivencia logo após a separação do corpo. Claro, que cada caso tem suas características individuais, que os outros não tem, E isto é natural, porque quando a alma vai parar no "além" é como se ela fosse um bebe recém - nascido com a visão e audição ainda não desenvolvidos. Por isso, as primeiras impressões das pessoas, que "emergiram" no "outro mundo," tem caráter subjetivo. No entanto, no seu conjunto, elas ajudam a formar um quadro bastante completo, ainda que não totalmente compreensível para nós.

Vamos, a seguir, relatar os momentos mais característicos das experiências do "outro mundo" cuja fonte são os livros modernos sobre vida após a morte.

1. Visão do "dublê." Tendo morrido, o homem não se dá conta disso, imediatamente. E só depois de ver o seu "dublê," deitado embaixo inerte, e se convencer que ele é incapaz de comunicar-se, ele percebe que a sua alma saiu do corpo. Às vezes, acontece que, após um desastre inesperado, quando a separação com o corpo físico ocorre brusca e inesperadamente, a alma não reconhece o seu corpo e pensa que está vendo alguém parecido com ele. A visão do "dublê," e a incapacidade de comunicar-se provoca um grande choque na alma, de modo que ela não tem certeza se isto é sonho ou realidade.

2. Consciência não rompida. Todos, sobreviventes à morte temporária, testemunham que conservaram totalmente o seu "eu" e todas as suas capacidades mentais, sensoriais e de vontade. Mais que isso, a visão e a audição tornam-se até mais aguçadas, o raciocínio fica mais claro e torna-se mais enérgico e a memória torna-se lúcida. Pessoas que faz tempo perderam alguma capacidade em conseqüência de alguma doença ou da idade, de repente sentem que a recuperam. O homem percebe que pode ver, ouvir, pensar etc., não tendo órgãos físicos. É fantástico, por exemplo, que um cego de nascença tendo saído do corpo, viu tudo o que era feito com o seu corpo pelos médicos e enfermeiros e mais tarde, após relatar todo o ocorrido, ele voltou a ser cego. Os médicos e psiquiatras, que associam as funções de pensar e de sentir aos processos químico - elétricos no cérebro, devem levar em conta esses dados modernos, compilados por médicos - reanimadores para entender corretamente a natureza humana.

3. Alívio. Normalmente, a morte é precedida pela doença e sofrimento.Ao sair do corpo a alma se alegra, pois nada mais dói, nada oprime, nada sufoca, a mente funciona claramente, os sentimentos apaziguados. O homem começa a identificar-se com a alma, e o corpo parece ser algo secundário e inútil, como tudo material. "Eu saio, e o corpo é um invólucro vazio" - explica um homem, que sobreviveu à morte temporária. Ele assistiu à sua cirurgia cardíaca como se fosse um "espectador." As tentativas de reanimar o seu corpo, absolutamente não o interessavam. Aparentemente, ele tinha se despedido mentalmente da vida terrena e estava pronto para iniciar uma nova vida. Entretanto, permanecia com ele o amor pela família e preocupação com os filhos que deixava. Deve-se notar, que mudanças radicais no caráter do indivíduo não ocorrem. O indivíduo permanece o mesmo que era. "A suposição que, abandonando o corpo, a alma imediatamente passa a conhecer e entender tudo, é falsa. Eu vim para esse novo mundo do mesmo jeito como saí do velho," - conta K. Ixcul.

4. O Túnel e a Luz. Após a visão do seu próprio corpo físico e do ambiente que o rodeia, algumas almas continuam no outro mundo espiritual. Enquanto outras, não passam pela primeira fase ou não reparam nela e vão direto para o segundo estágio. A passagem para o mundo espiritual, alguns descrevem como sendo uma viagem através do espaço escuro, lembrando um túnel, no final do qual eles vão parar numa região de luz não terrena. Existe um quadro do século XV de Jerônimo Bosh "Ascensão ao Empírico" que representa algo semelhante à passagem da alma pelo túnel. Isso significa que mesmo naquele tempo alguém já tinha acesso a esse conhecimento.

Eis, a seguir, dois relatos contemporâneos a respeito do assunto: "Eu ouvia, quando os médicos anunciaram a minha morte, mas nesse momento, era como se eu estivesse nadando em um espaço escuro. Não há palavras para descrever a sensação. Era completamente escuro ao redor, e só longe, muito longe, via-se luz. Era uma luz muito brilhante, mesmo que parecesse pequena inicialmente. À medida que eu me aproximava, a luz aumentava. Eu me deslocava velozmente em direção à luz e sentia que dela emanava o bem. Sendo cristão, lembrei-me das palavras de Cristo: "Eu sou a luz do mundo" e pensei: "Se isto é a morte, sei quem está esperando por mim" [1, pág.62].

"Eu sabia que estava morrendo" - conta uma outra pessoa, - e nada podia fazer, para comunicar isto, já que ninguém me ouvia... Eu estava fora do meu corpo - isto com certeza, porque eu via o meu corpo lá na mesa de operação. Minha alma tinha saído do corpo. Por isso, sentia-me perdido, mas depois vi essa luz diferente. Inicialmente, era pouca luz, mas depois tornou-se mais brilhante. Eu sentia o calor da luz. A luz cobria tudo, mas não me atrapalhava a visão da sala de cirurgia, médicos, enfermeiras, etc... Inicialmente, eu não entendi o que estava acontecendo, mas depois a voz da luz perguntou-me, se eu estava pronto para morrer. A luz falava, tal qual um homem, mas não havia ninguém. Era a Luz que perguntava... Agora eu entendo, que a Luz sabia que eu não estava pronto para morrer, mas queria me testar. A partir do momento que a Luz começou a conversar, eu fiquei bem, eu sentia que estava seguro e que a Luz me amava. O amor, que emanava da Luz, era inimaginável, indescritível" [1, pág.63].

Todos os que viram a Luz e depois tentaram descreve-la, não conseguiram achar as palavras adequadas. A Luz era diferente da luz que conhecemos por aqui. "Aquilo não era uma luz, mas sim uma ausência da escuridão, total e absoluta. Essa Luz não criava sombras, não era visível, mas estava em todo lugar e a alma permanecia na Luz" [5, pág.66]. A maioria testemunha sobre a Luz, como sendo um ser moralmente bondoso, e não como uma energia impessoal. As pessoas religiosas tomam essa Luz por Anjo, ou até mesmo por Jesus Cristo - em todo caso, por alguém que leva paz e amor. No encontro com a Luz, eles não conversavam em nenhum idioma. A Luz se comunicava com eles mentalmente. E aí, tudo estava tão claro, que era absolutamente impossível esconder algo da Luz.

5. Revisão e julgamento. Alguns, que sobreviveram à morte temporária, descrevem a etapa de revisão da vida que tiveram. Às vezes, a revisão ocorria durante a etapa da visão da Luz, quando o homem ouvia da Luz a pergunta: "O que você fez de bom?" A pessoa entendia que a pergunta não era feita para saber algo, mas para que a pessoa pudesse recordar a sua vida. E assim, após a pergunta, o filme da vida terrena da pessoa passa perante a sua visão espiritual, começando na tenra infância. O filme da vida se move como uma seqüência de quadros de episódios da vida, um após o outro, e a pessoa vê claramente e com detalhes tudo o que aconteceu com ela. Nesse momento, a pessoa revive e moralmente reavalia tudo aquilo que ela falou e fez.

Eis um dos casos típicos, que ilustra o processo da revisão: "Quando a Luz chegou, perguntou-me: - "O que você fez em sua vida? O que pode me mostrar?" ou algo semelhante a isso. E então, começaram a aparecer esses quadros. Eram quadros muito nítidos, coloridos, tridimensionais e em movimento. Toda a minha vida passou por mim... Eis eu, ainda uma menina pequena, brincando com a irmã perto do riacho... Depois, os acontecimentos da minha casa... escola... casamento... Tudo seguia na minha frente com mínimos detalhes. Eu revivia esses acontecimentos... Eu via os fatos quando fui cruel e egoísta. Senti vergonha de mim mesma e desejava que isto nunca tivesse acontecido. Mas, era impossível mudar o passado..." [1, pág. s65-68]

Reunindo muitos relatos de pessoas que passaram pela revisão da vida, deve-se concluir que ela sempre deixa nelas uma impressão profunda e benéfica. Realmente, durante a revisão, a pessoa é forçada a reavaliar seus atos, fazer o balanço do seu passado e assim é como se fizesse um julgamento sobre si mesmo. Na vida diária, as pessoas escondem o lado negativo do seu caráter e escondem-se atrás da máscara de virtude, para parecer melhores do que realmente são. A maioria das pessoas estão tão acostumadas com a hipocrisia, que param de ver o seu verdadeiro eu - freqüentemente orgulhoso, ambicioso e avarento. Mas, no momento da morte, essa máscara cai e a pessoa se vê tal qual realmente é. Principalmente, no momento da revisão, torna-se visível cada um de seus atos ocultos, até em cores e tridimensional, - ouve-se cada palavra dita, acontecimentos esquecidos são revividos de forma diferente. Nesse momento, tudo conseguido durante a vida - situação sócio-econômica, diplomas, títulos, etc... - perde seu sentido. A única coisa que serve para avaliação é o lado moral dos atos. E, nessa hora, a pessoa se julga não apenas pelo o que ela fez, mas também, como seus atos e palavras influenciaram outras pessoas.

Eis como uma outra pessoa descreveu a revisão da sua vida: "Eu senti-me fora do meu corpo, flutuando sobre um edifício, e vi o meu corpo deitado lá embaixo. Depois, uma luz me envolveu e nela eu vi como se fosse um filme, toda a minha vida. Senti-me muito envergonhado, porque muito do que eu antes considerava normal e aprovava, agora entendi que não era bom. Tudo era extremamente real. Eu sentia que um julgamento ocorria comigo e que uma razão superior me comandava e me ajudava a ver. O que mais me impressionou foi que me foi mostrado não apenas o que fiz mas como meus atos influenciaram outros... Aí eu entendi, que nada se apaga e nem passa em branco, mas que tudo, até cada pensamento tem conseqüências." [2, pág.s34-35]

Os próximos dois trechos de relato de pessoas que sobreviveram à morte temporária, ilustram como a revisão os ensinou a encarar a vida de uma nova forma..."Eu nunca contei a ninguém o que eu passei no momento da minha morte, mas, quando voltei à vida, senti-me dominado por um desejo enorme e ardente de fazer algo de bom para os outros. Eu sentia vergonha de mim mesmo..". "Quando voltei, resolvi que era necessário que eu mudasse. Sentia arrependimento, e a minha vida passada não me satisfazia em absoluto. Resolvi iniciar um outro modo de vida, completamente diferente." [2, pág.s25-26]


publicado por igrejacatolicaortodoxa às 14:07
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